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6 fases depois da amputação: o que esperar em cada uma

Profissional de jaleco ajustando o encaixe na perna de um paciente

Resposta curta: depois da amputação, a maioria das pessoas passa por seis fases: a cirurgia, a fisioterapia antes da prótese, a chegada da prótese, a fisioterapia com a prótese, a sensação ou dor fantasma e a reabilitação do dia a dia. A ordem e o tempo de cada uma variam de pessoa para pessoa.

Por que falar em fases

Seja qual for o motivo da amputação, passar por ela não é simples. Os desafios psicológicos são muitos, a rotina muda e até o jeito como as pessoas tratam você pode mudar. Sobre isso, veja 7 frases que você não deve falar para um amputado.

Cada caso é único. Ainda assim, trabalhando com a reabilitação de pessoas amputadas desde 1968, a gente vê fases que se repetem. Conhecer essas etapas ajuda você a entender o tratamento e a se preparar para o que vem.

Fase 1: o dia da amputação

A amputação pode acontecer com qualquer pessoa, de qualquer idade. O modo como ela chega muda a preparação.

Em acidentes de trânsito ou de trabalho, a amputação é imediata. A pessoa quase não tem tempo de se preparar para a nova rotina.

Em complicações do diabetes, como a síndrome do pé diabético, ou em malformações congênitas, como a hemimelia fibular, a pessoa e a família podem se preparar antes da cirurgia.

Isso não diminui a necessidade de psicoterapia. Em muitos desses casos, as mudanças emocionais são maiores e o acompanhamento dura mais do que nas amputações traumáticas. Em qualquer situação, contar com psicólogo ou psiquiatra e com o apoio de quem está perto faz diferença.

Fase 2: fisioterapia antes da prótese

Nessa fase, o foco é a saúde do coto. O fisioterapeuta Raphael Sancinetti, da equipe da Conforpés, explica: "Nesse momento vamos cuidar do coto do paciente realizando massagens de dessensibilização e alguns outros exercícios para preparar essa região para as próteses ortopédicas".

Mauch-Knee

Seja qual for o nível de amputação, a prioridade é estimular a circulação para reduzir o edema, ou seja, evitar que líquido se acumule no coto.

O que costuma acontecer nessa fase

Fase 3: a prótese

Cadeira de rodas e muletas ajudam muita gente, principalmente quem tem amputação de membro inferior e ainda não tem prótese. Para muitas pessoas, porém, é a prótese que traz de volta a autonomia de andar sem apoio.

Para quem tem amputação de membro superior, a prótese biônica é uma das alternativas para recuperar função da mão. A prótese estética serve para apoiar objetos pequenos e leves e para manter a aparência do membro.

O tempo de adaptação varia muito. Pesam a idade, o nível de amputação, o nível de atividade, o tipo de prótese e a sensibilidade do coto. Os guias de prótese de perna e de prótese de braço explicam os componentes de cada caso.

Nessa fase, ajuda muito não ter vergonha de usar a prótese e contar com o fisioterapeuta, o protesista e a família.

Fase 4: fisioterapia com a prótese

Se a primeira etapa da fisioterapia preparou o coto, esta ensina o corpo a trabalhar com a prótese.

O treino inclui as partes do corpo que ainda não tinham sido trabalhadas, além de equilíbrio e força.

  • Membro superior: movimento de pinça e tarefas simples, como pentear o cabelo e segurar um garfo.
  • Membro inferior: marcha estável, subir e descer escadas.

Fase 5: sensação e dor fantasma

A síndrome do membro fantasma é uma condição neurológica em que a pessoa continua sentindo o membro amputado. Essa sensação pode vir com dor na região que já não existe.

Sindrome-do-membro-fantasma2

Não acontece com todo mundo, mas é comum. Uma comparação ajuda: é como um computador que continua reconhecendo a impressora depois que o cabo foi cortado. O cérebro segue mandando e esperando sinais de uma parte do corpo que não está mais lá.

As causas ainda não são totalmente conhecidas. Pessoas com amputação traumática parecem mais propensas, pela forma brusca como a amputação aconteceu. O post por que acontece a dor fantasma aprofunda o tema.

Fase 6: reabilitação no dia a dia

A reabilitação não termina quando a pessoa se adapta à prótese. Alguns cuidados mantêm o conforto e a autonomia ao longo dos anos.

QUAL-A-IMPORTÂNCIA-DA-FISIOTERAPIA-PARA-AMPUTADOS1
  • Fazer a manutenção da prótese com regularidade.
  • Lavar o coto todos os dias com água morna e sabonete neutro, mantendo o equilíbrio da pele, para evitar infecções e inflamações.
  • Olhar o coto com um espelho com frequência, atrás de pequenas alterações.
  • Voltar ao protesista quando o encaixe mudar, apertar ou machucar.

Mais cuidados estão no post cuidados gerais com o coto amputado.

Essas fases são o que costumamos ver nos pacientes, e não um roteiro fixo. Se você está em qualquer uma delas e quer saber qual é o próximo passo, agende uma avaliação.

Perguntas frequentes

Toda pessoa amputada passa pelas mesmas fases?

Não necessariamente. As fases são um padrão que observamos, mas a ordem e o tempo mudam de pessoa para pessoa.

Quando começa a fisioterapia depois da amputação?

Antes da prótese, com foco na saúde do coto, e continua depois dela, com treino de uso da prótese. O início depende da liberação médica.

Todo mundo sente dor fantasma?

Não. É comum, mas não é regra, e a intensidade varia muito.

Quanto tempo leva para se adaptar à prótese?

Varia conforme idade, nível de amputação, nível de atividade, tipo de prótese e sensibilidade do coto. Não existe prazo único.

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