
Resposta curta: Amputação traumática é a perda de um membro, ou de parte dele, causada por um acidente. As causas mais comuns são acidentes de trânsito e de trabalho. O coto costuma exigir mais cuidado no início, mas o caminho até a prótese segue as mesmas etapas de qualquer amputação.
O que é amputação traumática
Na amputação traumática, o membro é perdido de forma acidental, no próprio acidente ou numa cirurgia de urgência logo depois dele. Ela é diferente da amputação planejada, em que a cirurgia é marcada com antecedência, como acontece em alguns casos de diabetes ou de malformação congênita.
No Brasil, a principal causa de amputação são as complicações do diabetes, principalmente do pé diabético. A amputação traumática aparece logo depois, puxada pelos acidentes de trânsito e de trabalho.
Principais causas
Acidentes de trânsito
Colisões de carro e de moto, atropelamentos e quedas estão entre as causas mais comuns. Boa parte desses acidentes poderia ser evitada com respeito às leis de trânsito, por motoristas, motociclistas e pedestres.
Um exemplo é a história de Vitor Dourado, paciente da Conforpés. Ele sofreu um acidente de carro ao pegar carona com um desconhecido e precisou amputar as duas pernas no nível transtibial, abaixo do joelho.
Acidentes de trabalho
O Brasil tem um número alto de acidentes de trabalho. Em 2019, o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho, registrava uma notificação de acidente de trabalho a cada 45 segundos no país. Este dado é um registro daquele ano; os números atuais estão no próprio Observatório.
Quando o ambiente não protege o trabalhador, com máquina sem proteção ou falta de equipamento de segurança, o resultado pode ser a amputação de membro inferior ou superior.
O que muda no coto de uma amputação traumática
Como a retirada do membro é acidental e muitas vezes brusca, o coto tende a apresentar mais complicações do que o de uma cirurgia planejada. Algumas diferenças comuns:
- Coto mais sensível nos primeiros meses, por causa da lesão dos tecidos.
- Risco maior de infecção e inflamação na região, que pede atenção redobrada à higiene e à pele.
- Sensação e dor fantasma mais frequentes, embora qualquer pessoa amputada possa ter esses sintomas ao longo da vida, seja qual for a causa.
Isso não quer dizer que a adaptação à prótese vai demorar mais. O tempo depende de fatores individuais, como idade, nível de amputação, condição do coto e resposta à reabilitação.
Sinais de alerta no coto
Procure o médico se notar qualquer um destes sinais:
- vermelhidão que aumenta de um dia para o outro;
- calor na pele do coto;
- dor forte ou que piora;
- secreção ou pus na cicatriz;
- febre.
Se você já usa prótese, avise também o protesista. Um encaixe mal ajustado pode machucar a pele.
O caminho até a prótese
Depois da alta, o caminho costuma seguir esta ordem:
- Cicatrização e preparo do coto, com enfaixamento, dessensibilização e fisioterapia.
- Avaliação protética, para definir o tipo de prótese e de encaixe.
- Molde e encaixe de prova, ajustados durante a reabilitação.
- Treino com a prótese, com fisioterapia e, no caso de membro superior, terapia ocupacional.
- Encaixe definitivo e acompanhamento, quando o coto estabiliza.
Para amputação abaixo do joelho, como a de Vitor, veja o guia de prótese transtibial. Para ver todas as opções de membro inferior, veja prótese de perna. A fase de preparo é explicada em detalhe no post sobre a importância da fisioterapia para amputados.
Indenização e custos
Quando a amputação vem de um acidente de trânsito ou de trabalho, pode haver direito a indenização. Isso é importante porque a amputação muitas vezes impede a pessoa de voltar à mesma função profissional.
Em muitos casos, a indenização é o que permite pagar a prótese e os custos médicos. Cada situação tem regras próprias, e quem orienta sobre o direito é um advogado ou a defensoria pública.
O lado emocional
A amputação traumática acontece sem aviso. Não há tempo de se preparar para a cirurgia, e isso pesa. O acompanhamento psicológico é um apoio importante para lidar com a nova rotina, junto com a família e a equipe de reabilitação.
Perguntas frequentes
Amputação traumática demora mais para adaptar à prótese?
Não necessariamente. O coto pode ser mais sensível no início, mas o tempo de adaptação depende de fatores individuais, e não só da causa.
Quem teve amputação traumática sente mais dor fantasma?
A sensação e a dor fantasma costumam ser mais frequentes nesses casos, mas qualquer pessoa amputada pode ter esses sintomas.
Tenho direito a indenização?
Pode ter, conforme a origem do acidente. Procure um advogado ou a defensoria pública para avaliar o seu caso.
Quando posso fazer a avaliação para a prótese?
Depois que a equipe médica liberar, com a cicatriz fechada. A avaliação ajuda a planejar o preparo do coto desde cedo.
Fontes
Quer saber qual prótese faz sentido no seu caso? Agende uma avaliação com a equipe da Conforpés.


