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Fisioterapia para amputados: antes e depois da prótese

Resposta curta: A fisioterapia prepara o coto para receber a prótese e depois ensina o corpo a usá-la. Ela acontece em duas fases, antes e depois da protetização, e muda conforme o nível de amputação. Sem ela, a prótese tende a ficar subaproveitada.
Por que a fisioterapia é indicada logo depois da amputação
A fisioterapia para quem é amputado acontece em dois períodos diferentes: antes da prótese (pré-protetização) e depois dela (pós-protetização). Cada fase tem um objetivo próprio.

Dois pacientes da Conforpés ouviram o mesmo conselho logo no início. Vitor Dourado, que amputou as duas pernas depois de um acidente de carro, escutou das enfermeiras: "É bom você arranjar um fisioterapeuta logo". Talisson, que amputou um membro superior aos 9 anos, recebeu a mesma orientação.
Para explicar cada fase, em 2018 conversamos com o fisioterapeuta Raphael Sancinetti, da equipe da Conforpés.
Fisioterapia antes da prótese: preparar o coto
Nessa fase, o coto é o centro do trabalho. "É neste momento que cuidamos do coto do paciente, pois temos que prepará-lo para receber a prótese", explica Raphael.
O fisioterapeuta acompanha:
- Cicatrização: a cicatriz precisa estar fechada e saudável antes do primeiro molde.
- Dessensibilização: estímulos graduais para o coto tolerar toque e pressão.
- Higiene: a rotina de limpeza que evita irritação e infecção.
- Enfaixamento: a técnica correta para modelar o coto e controlar o inchaço.
Além de preparar o coto, essa fase busca estimular o metabolismo do paciente e reduzir edemas. Não existe um tempo igual para todos, porque cada caso tem suas particularidades clínicas.
Fisioterapia depois da prótese: treinar o corpo
Com a prótese pronta, o foco muda. O objetivo passa a ser treinar as partes do corpo que ainda não tinham sido estimuladas, principalmente o equilíbrio e a força.


Os exercícios não são os mesmos para todo mundo. A necessidade de quem tem amputação de membro superior, como Talisson, é diferente da de quem tem amputação de membro inferior, como Vitor.
Membro inferior
Mesmo entre os níveis de perna, as prioridades mudam, porque os componentes são diferentes. "Um paciente com prótese transtibial tem o tratamento totalmente diferente do transfemoral, já que esse último irá precisar de um joelho protésico", comenta Raphael.
"Na fisioterapia de membros inferiores a gente reensina o paciente a marchar, a subir escadas, descer rampas e até mesmo a se proteger em caso de quedas", completa. Os guias de prótese transtibial e de prótese transfemural mostram como a prótese muda em cada nível.
Membro superior
Quem tem amputação de braço também tem o equilíbrio afetado, mas a atenção vai para as tarefas do dia a dia: pentear o cabelo, escovar os dentes e comer sem ajuda. Em geral, a reabilitação rende mais quando o fisioterapeuta trabalha junto com um terapeuta ocupacional.
O que cada fase trabalha
| Fase | Foco | Exemplos |
|---|---|---|
| Antes da prótese | Coto | Cicatrização, dessensibilização, higiene, enfaixamento, redução de edema |
| Depois da prótese, membro inferior | Marcha e equilíbrio | Andar, subir escada, descer rampa, se proteger numa queda |
| Depois da prótese, membro superior | Tarefas do dia a dia | Pentear o cabelo, escovar os dentes, comer sem ajuda |
Quanto tempo dura a fisioterapia com a prótese
O tempo de adaptação varia de pessoa para pessoa. Entram na conta a idade, o nível de amputação, o sistema da prótese e a sensibilidade do coto, e a ordem de importância desses fatores muda de caso para caso.
Em 2018, a referência dada por Raphael era de 6 a 12 meses para o uso pleno da prótese, numa pessoa com todas as condições favoráveis e com acompanhamento psicológico. É uma referência, não um prazo: muitas pessoas precisam de mais tempo, e isso faz parte do processo.
A adaptação não acontece de um dia para o outro. Para muita gente, é a etapa mais difícil de todo o caminho. O progresso vem em passos pequenos, um de cada vez, e o acompanhamento psicológico ajuda a atravessar essa fase. Leia mais em a importância da psicoterapia depois da amputação.
Como isso acontece na Conforpés
Na Conforpés, a reabilitação fica no mesmo prédio do laboratório. Isso permite que o protesista veja a marcha na sala de fisioterapia e ajuste o encaixe no mesmo dia, se for preciso.
O caminho segue a mesma ordem para todos: avaliação, molde, prova, ajuste e reabilitação. O que muda é o ritmo de cada pessoa.
Perguntas frequentes
Quando começa a fisioterapia depois da amputação?
A fase de preparo do coto costuma começar ainda antes da prótese, com orientação da equipe médica. O início exato depende da cicatrização e da condição clínica de cada pessoa.
A fisioterapia é diferente para braço e para perna?
Sim. Na perna, o foco é marcha, escada, rampa e queda. No braço, o foco são as tarefas do dia a dia, em geral com apoio da terapia ocupacional.
Quem usa prótese transfemoral faz mais fisioterapia?
O treino é diferente, porque inclui aprender a controlar o joelho protético. Por isso o tratamento é pensado caso a caso.
A fisioterapia garante que vou andar com a prótese?
Nenhum profissional pode garantir resultado. A fisioterapia aumenta as chances de um uso seguro e confortável, mas o resultado depende do coto, da idade e da condição clínica.
Quer entender como seria a reabilitação no seu caso? Agende uma avaliação com a equipe da Conforpés.


