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Vergonha de usar prótese: caminhos para lidar com ela

Jovem sorridente com prótese de perna sentado em um campo esportivo

Resposta curta: Sentir vergonha da prótese é comum, principalmente no começo da reabilitação. Três apoios ajudam: acompanhamento psicológico, personalização da prótese e fisioterapia, que aumenta a confiança no próprio corpo. Cada pessoa tem o seu ritmo, e está tudo bem levar tempo.

Uma frase que ouvimos muito

No início da fisioterapia com a prótese, muitos pacientes da Conforpés dizem a mesma coisa: "tenho vergonha de usar prótese". Outra queixa frequente é "as pessoas ficam olhando e perguntam se podem tocar".

Essa segunda situação incomoda tanto que está entre as frases que muita gente amputada preferiria não ouvir. A curiosidade dos outros nem sempre vem com respeito.

A amputação pode ter muitas causas, como acidente, diabetes, tumor ou malformação congênita. Em todos os casos, a pessoa amputada faz parte da sociedade e tem direito de circular sem constrangimento. Houve avanços nos direitos nos últimos anos, mas a luta por igualdade de tratamento e por oportunidades de trabalho continua.

Por que a prótese importa tanto

Para Vitor Dourado, coach e paciente da Conforpés com amputação transtibial nas duas pernas, a prótese é essencial para retomar as atividades de antes. "O uso das próteses é inevitável, não é escolha. Um dos maiores sonhos de muitos amputados é ter componentes de qualidade", diz.

Depois da amputação, muita coisa muda de uma vez. A vergonha de usar a prótese não deveria somar mais um peso a esse momento. Abaixo estão três caminhos que ajudam.

1. Acompanhamento psicológico

O primeiro passo é entender que a psicoterapia é uma aliada nessa fase, principalmente para a autoestima. É nela que a pessoa começa a absorver as mudanças: a nova configuração do corpo, as adaptações nas tarefas do dia a dia e a aceitação da prótese.

Não tem problema demorar para se acostumar com a aparência dos componentes. Cada pessoa tem um processo. O importante é saber que você não está sozinho.

Ficar perto de família e amigos também ajuda. Quando a cabeça está mais tranquila, isso aparece nas outras etapas do tratamento. Leia mais em a importância da psicoterapia depois da amputação.

2. Personalização da prótese

Outra forma de criar vínculo com a prótese é personalizar. Há alguns caminhos:

  • Tecido estampado com o desenho que você escolher, aplicado no encaixe.
  • Revestimento estético, em prótese de membro inferior, que dá à prótese um formato mais próximo do da perna.
  • Prótese estética, em amputação de membro superior, que reproduz a aparência do braço ou da mão.

O revestimento e a prótese estética ajudam a manter o aspecto do membro. A personalização com tecido vai no caminho oposto: deixa a prótese à mostra, com a cara de quem usa.

O fisioterapeuta Raphael Sancinetti, da equipe da Conforpés, explicou como funciona a personalização com tecido: "O importante é que o paciente traga um tecido permeável, pois nós costuramos o tecido e não estampamos. Então é passada uma resina para dar tanto a resistência, quanto a aderência necessária ao material".

Para ver as opções de prótese por nível, consulte os guias de prótese de perna e de prótese de braço.

3. Fisioterapia com a prótese

Na fisioterapia, a pessoa aprende os movimentos que antes eram feitos pelo membro amputado. No membro inferior, o foco é a marcha. No membro superior, é segurar e manusear objetos.

É também quando o contato com a prótese aumenta. A cada sessão, são trabalhadas a noção do próprio corpo no espaço, a força muscular e a massagem de dessensibilização do coto.

Quanto mais a pessoa percebe o que consegue fazer, mais segura ela fica. E, com mais segurança, o olhar dos outros tende a pesar menos.

A vergonha também é do outro

Parte do incômodo não vem de quem usa a prótese, e sim de quem olha. Algumas atitudes simples de quem convive com uma pessoa amputada ajudam:

  • tratar a prótese com naturalidade, sem comentário sobre aparência;
  • não tocar sem pedir;
  • perguntar só se houver abertura para a conversa.

A nadadora paralímpica Camille Rodrigues, que já contou sua história no nosso blog, afirma que muitas oportunidades na vida dela aconteceram depois da amputação. É a experiência dela, e cada pessoa vive esse processo de um jeito.

Cada um no seu ritmo

Estas são sugestões para acompanhar o tratamento. As particularidades de cada pessoa contam muito. O que vale para todos é não deixar que ninguém diminua você por causa de uma amputação.

Perguntas frequentes

É normal ter vergonha de usar prótese?

Sim. É uma queixa comum no início da reabilitação e costuma diminuir com apoio psicológico, fisioterapia e tempo de uso.

Posso personalizar a minha prótese?

Sim. O encaixe pode receber tecido estampado, costurado e coberto com resina. O tecido precisa ser permeável.

Qual a diferença entre revestimento estético e prótese estética?

O revestimento cobre a prótese de membro inferior e dá formato de perna. A prótese estética, usada em membro superior, reproduz a aparência do braço ou da mão.

O que responder quando alguém pergunta se pode tocar na prótese?

Você decide. Pode dizer que prefere que não toquem, ou explicar como a prótese funciona, se quiser.

Quer conhecer as opções de personalização para a sua prótese? Agende uma avaliação com a equipe da Conforpés.

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