Desarticulação de quadril
O que muda quando a perna inteira é retirada pela articulação do quadril, como fica o corpo e como é a prótese.

Resposta curta: Na desarticulação de quadril, a perna inteira é retirada no ponto em que ela se liga ao corpo, a articulação do quadril. A pelve fica. Como saem as três grandes articulações da perna, quadril, joelho e tornozelo, a prótese tem um encaixe que abraça a bacia e o tronco, com quadril, joelho e pé protéticos.
Onde é feita
A Amputee Coalition define a desarticulação de quadril como a amputação da perna inteira no ponto em que ela se prende ao corpo, na articulação do quadril. Em inglês aparece como "hip disarticulation", ou HD.
Desarticular é separar os ossos na articulação, sem serrar osso. Aqui, o fêmur inteiro sai e a pelve fica, inclusive o osso em que a gente senta. É isso que diferencia a desarticulação de quadril da hemipelvectomia, em que parte da pelve também é retirada.
Nas Diretrizes do Ministério da Saúde, a desarticulação do quadril é o segundo nível mais alto da lista do membro inferior, abaixo apenas da hemipelvectomia.
Por que é indicada
Segundo a Amputee Coalition, as desarticulações de quadril e as hemipelvectomias costumam ser feitas por câncer, trauma, problema vascular ou infecção. A altura exata da cirurgia depende da situação de cada pessoa. Em um tumor, por exemplo, depende de onde ele está e da margem que a equipe de oncologia e cirurgia considera segura.
Para as amputações de perna em geral, o Ministério da Saúde aponta as complicações da doença vascular e do diabetes como as causas mais frequentes, e o trauma como a segunda. A decisão pelo nível é do cirurgião.
Como fica o coto
Na desarticulação de quadril não existe coto de coxa. O que fica é a região do quadril e a bacia, e é nela que o encaixe da prótese vai se apoiar. A Amputee Coalition chama a atenção para três pontos próprios desse nível.
- Sentar. Pode levar tempo até sentar com conforto, porque tecidos e músculos às vezes são reposicionados sobre o osso em que a gente senta. Almofadas especiais e encaixes para sentar podem ser recomendados.
- Equilíbrio. Sem a perna inteira, o centro de gravidade muda, e o equilíbrio sentado e em pé é afetado. Por isso ele é treinado desde o início.
- Coluna. A dificuldade de sentar bem pode favorecer escoliose, a coluna torta. Um nivelador de pelve ou uma almofada sob medida ajudam a manter o alinhamento.
A mesma fonte orienta olhar a pele da cicatriz, do tronco e de tudo o que encosta na cadeira, no assento ou no encaixe, usando um espelho de cabo longo, para achar feridas cedo.
O que esperar, fase a fase
As etapas abaixo seguem o guia da Amputee Coalition para desarticulação de quadril e hemipelvectomia e as Diretrizes do Ministério da Saúde. Não existe prazo fixo. Segundo a Amputee Coalition, o momento da prótese depende da sua força, do seu equilíbrio e de quanto você tolera a pressão do encaixe.
- Cirurgia e internação. Nas duas primeiras semanas são comuns inchaço e dor leve a moderada. Já começam a fisioterapia, a mobilidade na cama, a cadeira de rodas e o treino com andador ou muletas, além de compressão e dessensibilização. Algumas pessoas precisam de enxerto de pele ou retalho para fechar a ferida.
- Cicatrização e compressão. O inchaço diminui, os pontos são retirados e a secreção fica mínima. A dor da cirurgia costuma diminuir nas primeiras semanas. Com a cicatriz se contraindo, pode parecer que a pele puxa para o lado amputado.
- Preparo. Fisioterapia e terapia ocupacional seguem com condicionamento, fortalecimento, mobilidade, atividades de vida diária e terapia pré-protética. Você pode receber uma almofada para o equilíbrio sentado.
- Prótese provisória. O protesista pode começar com um encaixe de prova e ajustar até ficar firme sem apertar ou pinçar o tecido, o que poderia machucar a pele.
- Treino. Nos primeiros meses, a fisioterapia e a terapia ocupacional continuam em ambulatório e as atividades aumentam. A marcha com prótese nesse nível pede muito treino.
- Prótese definitiva. Depois de ajustado o encaixe, vem a prótese de uso diário, com acompanhamento regular para manter o encaixe confortável.
Prótese para esse nível
A Amputee Coalition descreve as partes da prótese para esse nível: encaixe de corpo, quadril, joelho e tornozelo com pé. O encaixe é rígido ou semirrígido, veste a parte de baixo do tronco e é preso com velcro ou fivelas. Os dois estilos básicos são o encaixe em cesto e o encaixe em forma de biquíni.
O quadril protético fica à frente do corpo e muitas vezes usa molas ou sistema hidráulico, para você não precisar jogar a prótese para o lado e depois para a frente. A perna protética pode ser feita um pouco mais curta que a outra, para o pé não raspar no chão. Segundo a mesma fonte, a prótese pode pesar até cerca de 7 kg.
Veja o guia da prótese para desarticulação de quadril e o catálogo de componentes, com as páginas de articulações de quadril, joelhos protéticos e pés protéticos. A escolha sai da avaliação e da prescrição.
Reabilitação e dia a dia
A Amputee Coalition informa que andar com prótese depois de uma desarticulação de quadril ou hemipelvectomia pode exigir de 100% a 200% mais energia. Por isso muitas pessoas combinam prótese, muletas e cadeira de rodas conforme a situação, e isso é decidido com a equipe.
A fisioterapia trabalha força do tronco, do abdome e da perna que ficou, postura e equilíbrio, e ajuda a evitar sobrecarga na outra perna e nos braços. A terapia ocupacional entra nas atividades de vida diária e em adaptações da casa e do carro.
Sobre dirigir, a mesma fonte descreve adaptações como comandos manuais para acelerador e freio e pedal de acelerador do lado esquerdo em carros automáticos. A habilitação especial está na página de direitos.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre desarticulação de quadril e hemipelvectomia?
Na desarticulação de quadril a pelve fica inteira. Na hemipelvectomia, parte ou toda a metade da pelve também é retirada. Isso muda o apoio para sentar e o encaixe.
Quem tem desarticulação de quadril consegue usar prótese?
Muitas pessoas usam, mas a decisão depende de força, equilíbrio, condição clínica e objetivo. A Amputee Coalition lembra que andar nesse nível pede bastante energia e treino.
Como é o encaixe?
É um encaixe que veste a parte de baixo do tronco, em cesto ou em forma de biquíni, preso com velcro ou fivelas. O quadril protético fica preso a ele.
Por que é difícil sentar no começo?
Porque os tecidos da região mudaram com a cirurgia e o equilíbrio mudou. Almofadas específicas ajudam, e isso melhora com o tempo e a reabilitação.
A prótese é pesada?
Ela tem mais peças que as próteses de níveis mais baixos. A Amputee Coalition cita peso de até cerca de 7 kg. O peso final depende dos componentes escolhidos.
Dá para dirigir?
Existem adaptações, como comandos manuais e pedal de acelerador à esquerda. A liberação depende do exame para a habilitação especial.
Leia também
- O que é desarticulação de quadril
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Fontes
- Amputee Coalition. Beginning Your New Journey: Hip Disarticulation/Hemipelvectomy.
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
- Amputee Coalition. Limb Loss Definitions.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.
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