Hemipelvectomia
O que muda quando a perna e parte da pelve são retiradas, como fica o sentar e como é a prótese.

Resposta curta: A hemipelvectomia retira a perna inteira, a articulação do quadril e parte ou toda a metade da pelve daquele lado. É o nível mais alto de amputação de membro inferior na lista do Ministério da Saúde. Sem o osso em que a gente senta, o sentar e o equilíbrio mudam, e a prótese se apoia no tronco.
Onde é feita
A Amputee Coalition define a hemipelvectomia, também chamada de transpelvectomia, como a amputação da perna inteira, da articulação do quadril e de parte ou de toda a pelve. Em inglês aparece como "hemipelvectomy", ou HP.
A pelve, ou bacia, é o conjunto de ossos que liga a coluna às pernas. Cada metade tem o encaixe do quadril e o osso em que a gente senta. Na hemipelvectomia, essa metade sai com a perna, total ou parcialmente.
A diferença para a desarticulação de quadril está na pelve. Na desarticulação, a perna sai pela articulação e a pelve fica. Na hemipelvectomia, parte da pelve também é retirada. Nas Diretrizes do Ministério da Saúde, a hemipelvectomia é o primeiro item, o mais alto, da lista de níveis do membro inferior.
Por que é indicada
Segundo a Amputee Coalition, desarticulações de quadril e hemipelvectomias costumam ser feitas por câncer, trauma, problema vascular ou infecção. A mesma fonte explica que a altura da amputação depende do caso: numa hemipelvectomia por sarcoma, um tipo de tumor, ela depende da localização do tumor e da margem que a equipe de oncologia e cirurgia considera segura para retirar todas as células doentes.
A decisão é sempre da equipe médica. Segundo a Amputee Coalition, o cirurgião pode ser de trauma, vascular ou ortopedista, conforme a causa.
Como fica o coto
Na hemipelvectomia não existe coto de perna. O que fica é o tronco, com a metade da pelve do outro lado, e é nesse conjunto que a prótese e o assento vão se apoiar. A Amputee Coalition destaca os pontos próprios desse nível.
- Sentar. Sentar com conforto pode levar tempo, porque tecidos e músculos às vezes são reposicionados sobre a região de apoio. Almofadas especiais e encaixes para sentar podem ser recomendados pela equipe.
- Coluna. Com a perda de tecido e de apoio ósseo, a dificuldade de sentar pode favorecer escoliose, a coluna torta. Nivelador de pelve e almofada sob medida ajudam no alinhamento.
- Equilíbrio. Sem a perna inteira, o centro de gravidade muda. O equilíbrio sentado e em pé é treinado desde o começo.
- Cicatrização. Algumas pessoas têm dificuldade para fechar a ferida e podem precisar de cirurgia plástica, com enxerto de pele ou retalho de músculo e tecido.
A pele da cicatriz, do tronco e de tudo o que encosta na cadeira, no assento ou no encaixe deve ser olhada com frequência, com um espelho de cabo longo, para achar feridas cedo.
O que esperar, fase a fase
As etapas abaixo seguem o guia da Amputee Coalition para desarticulação de quadril e hemipelvectomia. Não existe prazo fixo. A própria fonte diz que o momento da prótese depende da força, do equilíbrio e de quanto você tolera a pressão do encaixe.
- Cirurgia e internação. Nas primeiras semanas são comuns inchaço e dor leve a moderada. A fisioterapia começa cedo, com mobilidade na cama, cadeira de rodas e treino com andador ou muletas. Mobilidade e sentar com conforto são metas desde o início. A terapia ocupacional ajuda com vestir, higiene e atividades do dia.
- Cicatrização e compressão. O inchaço diminui, os pontos são retirados e a secreção fica mínima. A dor costuma diminuir nas primeiras semanas. A compressão e a dessensibilização continuam.
- Preparo. Condicionamento, fortalecimento, mobilidade e terapia pré-protética. Você pode receber uma almofada para o equilíbrio sentado na cadeira.
- Prótese provisória. O protesista pode começar com um encaixe de prova e ajustar até ficar firme sem apertar ou pinçar o tecido. Como a área é íntima, a Amputee Coalition lembra que é importante você se sentir à vontade com o protesista e a equipe.
- Treino. Nos primeiros meses a fisioterapia e a terapia ocupacional seguem em ambulatório. A marcha com prótese nesse nível pede muito treino.
- Prótese definitiva. Com o encaixe ajustado, vem a prótese de uso diário e o acompanhamento regular.
Prótese para esse nível
A prótese para hemipelvectomia tem as mesmas partes da prótese de desarticulação de quadril: encaixe de corpo, quadril, joelho e tornozelo com pé. O encaixe é rígido ou semirrígido, veste a parte de baixo do tronco e é preso com velcro ou fivelas, em estilo cesto ou biquíni, segundo a Amputee Coalition.
A mesma fonte alerta para o equilíbrio do encaixe: ele precisa dar segurança sem machucar. Se sobe demais, aperta a cintura e as costelas. O quadril protético fica à frente do corpo e pode usar molas ou sistema hidráulico, e a perna protética pode ser um pouco mais curta, para o pé não raspar no chão.
Veja o guia da prótese para hemipelvectomia e o catálogo de componentes, com as páginas de articulações de quadril, joelhos protéticos e pés protéticos. A escolha sai da avaliação e da prescrição.
Reabilitação e dia a dia
A Amputee Coalition informa que andar com prótese depois de uma hemipelvectomia pode exigir de 100% a 200% mais energia, e que a prótese pode pesar até cerca de 7 kg. Por isso muitas pessoas combinam prótese, muletas e cadeira de rodas conforme a tarefa. A mesma fonte registra que há adultos e crianças que usam a prótese o dia todo.
A fisioterapia trabalha tronco, abdome, a perna que ficou, postura e equilíbrio, e cuida para não sobrecarregar a outra perna e os braços. A terapia ocupacional entra nas atividades de vida diária e nas adaptações da casa e do carro.
Para dirigir, existem adaptações como comandos manuais para acelerador e freio. A habilitação especial está na página de direitos.
O Ministério da Saúde lembra que o preparo psicológico e o contato com outras pessoas amputadas ajudam no processo, e que a equipe deve informar os direitos da pessoa com deficiência. Num nível alto como este, esse apoio pesa ainda mais.
Perguntas frequentes
Hemipelvectomia é o mesmo que desarticulação de quadril?
Não. Na desarticulação de quadril, a pelve fica. Na hemipelvectomia, parte ou toda a metade da pelve também sai. Isso muda o apoio para sentar e o desenho do encaixe.
Quem faz hemipelvectomia pode usar prótese?
Pode, dependendo de força, equilíbrio, condição clínica e objetivo. A decisão é tomada com a equipe, que também avalia quando a prótese entra.
Como a prótese fica presa?
Por um encaixe que veste a parte de baixo do tronco, em cesto ou biquíni, preso com velcro ou fivelas. O quadril, o joelho e o pé protéticos são montados a partir dele.
Por que é difícil sentar?
Porque o osso de apoio daquele lado foi retirado e os tecidos foram reposicionados. Almofadas sob medida e niveladores de pelve ajudam a sentar reto e a proteger a coluna.
A prótese cansa?
Pede mais energia que as próteses de níveis mais baixos. A Amputee Coalition fala em 100% a 200% a mais. O treino e o condicionamento ajudam.
Por que a cicatrização pode demorar?
Porque a cirurgia é extensa. Algumas pessoas precisam de enxerto ou retalho para fechar a ferida, e a equipe acompanha de perto.
Leia também
- Prótese para desarticulação de quadril
- Amputação por tumor ósseo
- O que é nível de amputação
- Direitos da pessoa amputada e agende uma avaliação
Fontes
- Amputee Coalition. Beginning Your New Journey: Hip Disarticulation/Hemipelvectomy.
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.
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