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Amputação de Chopart

Quando do pé ficam o calcanhar e o tálus: o que se preserva, o cuidado com o tornozelo e a prótese.

Ilustração de um homem com prótese parcial de pé andando de bicicleta na ciclovia

Resposta curta: A amputação de Chopart separa o pé na articulação do meio do pé, e ficam só o calcâneo, que é o osso do calcanhar, e o tálus, que forma o tornozelo. A perna mantém o comprimento e o apoio no calcanhar. Em troca, o coto é curto e o controle do tornozelo pede cuidado.

Onde é feita

Entre o retropé, que é o calcanhar e o tálus, e o restante do pé existe uma linha de articulações chamada mediotársica, ou articulação de Chopart. Ela liga o tálus ao navicular e o calcâneo ao cuboide.

A amputação de Chopart é uma desarticulação nessa linha. Uma revisão sistemática publicada em 2023 na revista Medicine a define como a desarticulação nos níveis talonavicular e calcaneocuboide. Tudo o que está à frente sai; ficam o calcâneo e o tálus, com a articulação do tornozelo.

O Ministério da Saúde inclui esse nível entre as amputações parciais do pé. As Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada orientam preservar o máximo de comprimento possível, num nível que cicatrize bem e mantenha pele e sensibilidade.

Por que é indicada

Segundo a revisão de 2023, as indicações são doença vascular, diabetes, infecção grave com risco de vida, tumor e trauma grave do pé. Nos estudos revisados, a maioria das pessoas foi amputada por diabetes ou por trauma.

No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde registram que a maior parte das amputações de membro inferior acontece em pessoas com doença vascular periférica ou diabetes, e que o trauma vem em segundo lugar.

Como fica o coto

O coto de Chopart preserva o calcanhar, que é feito para receber peso, e o comprimento da perna. Sem nenhum osso à frente, porém, os músculos da panturrilha puxam o calcanhar para cima. O resultado pode ser o pé em equino, com a cicatriz virando para o chão.

Por isso a técnica foi modificada. A revisão de 2023 descreve a chamada Chopart modificada, em que o cirurgião faz a tenotomia do tendão de Aquiles e fixa tendões que levantam o pé no tálus. Nos estudos revisados, só 2 de 83 pessoas com a técnica modificada desenvolveram equino.

A cicatrização é o ponto mais sensível. A revisão encontrou falha de cicatrização em 28% dos casos de Chopart modificada e em 46% da técnica convencional. Na Chopart modificada, 74% das pessoas acompanhadas conseguiam andar sem prótese por distâncias curtas ou longas. Esses números mostram tendências, não o seu caso.

O que esperar, fase a fase

  1. Cirurgia e internação: o tempo depende da saúde geral e das complicações. Você aprende a se transferir e a se deslocar com cadeira de rodas, andador ou muletas.
  2. Cicatrização: o MedlinePlus orienta não colocar peso sobre a ferida por pelo menos 2 semanas, ou mais. Se o cirurgião usou gesso ou tala para proteger o tornozelo, siga a orientação dele.
  3. Controle do inchaço e posição: faixa ou meia compressiva com compressão maior na ponta, como orienta o Ministério da Saúde. As diretrizes pedem que o coto não seja deixado para fora da cama nem apoiado em posição que dobre o joelho.
  4. Preparo do coto: mobilização, fortalecimento da perna e dessensibilização da cicatriz com a ferida fechada.
  5. Prótese provisória: quando a ferida fecha e a região não dói ao toque, o protesista faz o molde do coto.
  6. Treino: equilíbrio, transferência de peso, barras paralelas, andador ou muletas, depois rampa, escada e terreno irregular, como descrevem as diretrizes.
  7. Prótese definitiva: ajustada ao coto estável, com revisões periódicas.

O ritmo é individual. Cicatrização e comportamento do tornozelo pesam mais do que qualquer prazo.

Prótese para esse nível

Como sobra pouco pé, a prótese de Chopart precisa segurar o coto e substituir toda a frente do pé. Entre as opções que a Cleveland Clinic descreve para amputação parcial de pé, as que se aplicam a esse nível são a órtese de tornozelo e pé com a parte do pé adaptada e a prótese sob medida moldada no coto.

Veja o guia da prótese de pé, que trata das amputações parciais, e o catálogo de componentes, em pés protéticos. Quem escolhe o desenho é a avaliação, olhando o coto e o tornozelo.

Reabilitação e dia a dia

Em casa, a pele do calcanhar e a cicatriz pedem inspeção diária com espelho. O MedlinePlus orienta lavar com sabão neutro, secar bem e procurar o cirurgião se houver vermelhidão, calor, secreção, febre ou mau cheiro.

A fisioterapia trabalha alongamento da panturrilha, fortalecimento e marcha com a prótese. A terapia ocupacional ajuda com o vestir, o calçar e a volta às tarefas de casa e do trabalho. As diretrizes do Ministério da Saúde pedem vigilância do outro pé.

Tristeza, raiva e sensação fantasma são descritas pelo MedlinePlus como reações esperadas. Fale com a equipe sobre o que você sente.

Perguntas frequentes

O que sobra do pé na amputação de Chopart?

Ficam o calcâneo, que é o osso do calcanhar, e o tálus, que forma o tornozelo com os ossos da perna. Todo o resto do pé é retirado.

Dá para pisar sem prótese?

Na técnica modificada, a revisão de 2023 encontrou muitas pessoas andando sem prótese por distâncias curtas. Para o dia a dia, a prótese protege a pele e dá a alavanca que falta.

Por que meu pé está apontando para baixo?

É a deformidade em equino, comum nesse nível. Mostre ao médico, porque há como tratar.

Chopart é melhor ou pior que amputar abaixo do joelho?

Depende do caso. Num dos estudos revisados, a Chopart convencional teve mais reamputação do que a transtibial, e a decisão sobre o nível é do cirurgião com você.

Quanto custa a prótese de Chopart?

Depende do desenho indicado. O guia da prótese de pé traz as faixas de referência, e o valor exato sai depois da avaliação.

Tenho direito a prótese pelo SUS ou pelo plano?

Há regras próprias em cada caso. Veja a página de direitos.

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Fontes

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.

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