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Amputação transmetatarsiana

A retirada da frente do pé, com calcanhar e meio do pé preservados: o que muda no passo e no calçado.

Ilustração de uma protesista mostrando a um paciente a prótese parcial de pé que vai dentro do sapato

Resposta curta: A amputação transmetatarsiana retira a parte da frente do pé, com um corte que atravessa os metatarsos. O calcanhar e o meio do pé ficam, e o pé continua sendo uma base de apoio. A reabilitação costuma usar calçado adaptado e palmilha ou prótese parcial sob medida.

Onde é feita

Os metatarsos são os cinco ossos longos que ficam entre o meio do pé e os dedos. Na amputação transmetatarsiana, o cirurgião corta esses ossos no meio do seu comprimento, retirando todos os dedos e a parte da frente dos metatarsos. Em linguagem popular, é a amputação da frente do pé.

Uma revisão publicada em 2012 no Journal of Aging Research descreve a cirurgia como a retirada do antepé na altura da diáfise dos metatarsos, com calcanhar e meio do pé intactos. O nível fica entre a amputação de raio, mais para a ponta, e a amputação de Lisfranc, mais para trás.

O Ministério da Saúde inclui esse nível entre as amputações parciais do pé. A orientação das Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada é preservar o máximo de comprimento possível, num nível que cicatrize bem e mantenha boa cobertura de pele.

Por que é indicada

A revisão de 2012 cita como indicações a úlcera grave do pé diabético com infecção, a gangrena e a osteomielite, quando a frente do pé não tem mais como ser salva. Complicações de circulação que não respondem ao tratamento conservador também entram na lista.

Trauma, tumores, queimaduras e feridas que não cicatrizam são outras causas de amputação de pé, segundo o MedlinePlus. No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde registram que a maior parte das amputações de membro inferior acontece em pessoas com doença vascular periférica ou diabetes.

Como fica o coto

O ponto forte desse nível é o que fica. A revisão de 2012 destaca a preservação de uma plataforma de apoio que permite andar cedo e com menos gasto de energia do que nas amputações mais altas. Um acompanhamento de 10 anos publicado em 2025 encontrou que só 6,67% das pessoas com amputação transmetatarsiana evoluíram para amputação abaixo do joelho.

Há cuidados próprios. Sem a frente do pé, os músculos que levantam e abaixam o pé perdem o equilíbrio entre si. A revisão de 2012 descreve a deformidade em equino varo, em que o pé tende a apontar para baixo e para dentro. Para evitar isso, o cirurgião pode fazer o alongamento do tendão de Aquiles, o recuo do músculo da panturrilha ou a transferência de um tendão.

A pele da ponta do coto e da planta recebe mais pressão. Abertura da ferida e úlcera estão entre as complicações descritas, e parte das pessoas precisa de nova cirurgia. Por isso a revisão recomenda calçado com solado em balanço e palmilha de contato total, que espalham a pressão pela planta.

O que esperar, fase a fase

  1. Cirurgia e internação: o tempo depende da saúde geral e de complicações. Você aprende a se transferir e a se deslocar com andador ou muletas, se for preciso.
  2. Cicatrização: o MedlinePlus orienta não colocar peso sobre a ferida por pelo menos 2 semanas, ou mais. Nada de banho de imersão até a liberação.
  3. Controle do inchaço: faixa elástica ou meia compressiva, trocada ou refeita ao longo do dia. O Ministério da Saúde orienta compressão maior na ponta e menor em direção ao tornozelo.
  4. Preparo do coto: movimentar o tornozelo, fortalecer a perna e dessensibilizar a cicatriz com massagem e texturas, como descrevem as diretrizes.
  5. Palmilha ou prótese provisória: quando a ferida fecha e a região não dói ao toque, o protesista faz o molde para preencher o calçado e distribuir a pressão.
  6. Treino: equilíbrio, transferência de peso, rampa, escada e terreno irregular, com o fisioterapeuta.
  7. Solução definitiva: calçado adaptado com palmilha, prótese parcial de silicone ou órtese com placa de pé, com revisão periódica.

Cada pessoa tem o seu ritmo. Circulação, glicemia e cicatrização mandam mais do que o calendário.

Prótese para esse nível

Para amputações parciais de pé, a Cleveland Clinic descreve quatro caminhos: palmilha sob medida que preenche a parte que falta, órtese de tornozelo e pé adaptada, prótese de silicone e palmilha de fibra de carbono que vai até a ponta do pé. Na transmetatarsiana, a escolha leva em conta o comprimento do coto, a pele da planta, o alinhamento do tornozelo e a sua rotina.

Veja o guia da prótese de pé, com os tipos e o processo na Conforpés. Os componentes estão no catálogo, na categoria pés protéticos. A indicação final vem da avaliação.

Reabilitação e dia a dia

Em casa, o cuidado é diário: lavar com sabão neutro, secar bem, olhar a planta com espelho e não andar descalço. O MedlinePlus pede contato com o cirurgião em caso de vermelhidão, calor, secreção, febre, pele escurecendo ou mau cheiro.

A fisioterapia treina o passo sem a alavanca da frente do pé e fortalece a perna e o tronco. A terapia ocupacional ajuda com o calçar, o cuidado dos pés e a volta às atividades. As diretrizes do Ministério da Saúde pedem vigilância constante do outro pé.

Tristeza, raiva e a sensação de que a parte retirada ainda está lá são descritas pelo MedlinePlus como reações esperadas. Converse com a equipe sobre isso.

Perguntas frequentes

Com amputação transmetatarsiana dá para andar sem prótese?

O calcanhar e o meio do pé continuam, e a revisão de 2012 fala em andar cedo e com menos gasto de energia do que nas amputações mais altas. Ainda assim, o calçado adaptado e a palmilha protegem a pele e melhoram o passo.

Por que o pé está virando para baixo?

Pode ser a deformidade em equino, descrita depois dessa cirurgia. Mostre ao médico, porque há tratamento, inclusive cirúrgico.

Que tipo de sapato devo usar?

A revisão de 2012 cita calçado com solado em balanço e palmilha de contato total. O protesista ajusta isso ao seu pé na avaliação.

Existe risco de a amputação subir para a perna?

Existe, e ele depende da causa e do cuidado. No acompanhamento de 10 anos publicado em 2025, 6,67% das pessoas com esse nível evoluíram para amputação abaixo do joelho.

Quanto custa a prótese para esse nível?

Depende da solução indicada. O guia da prótese de pé traz as faixas de referência, e o valor exato sai depois da avaliação.

O SUS ou o plano cobrem?

Há regras próprias em cada caso. Veja a página de direitos.

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Fontes

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.

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