Desarticulação de joelho
O que muda quando a perna é retirada pela articulação do joelho, como fica o coto e que prótese costuma entrar.

Resposta curta: Na desarticulação de joelho, a perna é retirada pela própria articulação do joelho, sem cortar o osso da coxa. O fêmur fica inteiro. Isso gera um coto longo, com a ponta larga, que costuma aguentar parte do peso do corpo, mas o joelho da prótese passa a ser mecânico.
Onde é feita
A Össur define a desarticulação de joelho como a amputação através da articulação do joelho. Em inglês ela aparece como "knee disarticulation" ou KD, e também como "through-knee amputation", amputação através do joelho.
Desarticular é separar os ossos na articulação, sem serrar osso, como explica a Amputee Coalition. No joelho, isso quer dizer que a tíbia e a fíbula saem e o fêmur, o osso da coxa, fica com o comprimento todo, inclusive a parte larga da ponta.
Nas Diretrizes do Ministério da Saúde, a desarticulação do joelho está entre a transfemural e a transtibial na lista de níveis do membro inferior. A orientação geral da diretriz é preservar tanto comprimento quanto possível, com boa cobertura de pele e sensibilidade preservada.
Por que é indicada
As causas de amputação de perna valem aqui também. Segundo o Ministério da Saúde, as mais frequentes são as complicações de doença vascular periférica e diabetes, principalmente em pessoas idosas, e o trauma é a segunda maior causa. O MedlinePlus acrescenta infecção que não cede, tumor, queimadura grave e ferida que não cicatriza.
A desarticulação entra quando não dá para manter o joelho, mas a coxa pode ficar inteira. A decisão entre ela, a transtibial e a transfemural é do cirurgião, que pesa a circulação, a pele disponível para fechar a ferida e a condição geral de cada pessoa.
Como fica o coto
O coto é a coxa inteira, terminando na ponta larga do fêmur. Um estudo publicado no PubMed Central, com pacientes de um centro de reabilitação em Manchester, na Inglaterra, descreve que o coto longo e com apoio na ponta ajuda no equilíbrio e no controle da prótese.
O mesmo estudo aponta as desvantagens: a ferida pode demorar mais a cicatrizar, a prótese fica sem espaço para um joelho dentro do próprio encaixe e o conjunto tem aparência mais volumosa na altura do joelho. Esses pontos são avaliados com o cirurgião e com o protesista.
Na prática, o que muda para você:
- Apoio na ponta. O coto pode receber carga na ponta, o que muda o desenho do encaixe em relação à amputação transfemural. Quanto ele aguenta depende da pele e da cicatriz, e é testado aos poucos.
- Altura do joelho. Como a coxa é inteira, o joelho protético fica abaixo do encaixe. Por isso ele precisa ser de um tipo específico para esse nível.
- Quadril livre. Todos os músculos da coxa ficam, e o cuidado de postura é manter o quadril sem travar dobrado, como orienta o Ministério da Saúde para as amputações de membro inferior.
O que esperar, fase a fase
As fontes abertas não trazem uma linha do tempo própria para a desarticulação de joelho. As etapas abaixo seguem as Diretrizes do Ministério da Saúde para amputação de membro inferior. Qualquer prazo é referência e depende de cada pessoa.
- Cirurgia e internação. O coto não deve ficar imobilizado. A diretriz orienta mobilizar entre 24 e 48 horas depois da cirurgia, com cuidado com a ferida, e manter quadril em posição neutra na cama, sem apoio que deixe a coxa dobrada e sem o coto para fora do leito.
- Cicatrização e enfaixamento. O enfaixamento compressivo começa cedo para reduzir o inchaço e modelar o coto. A pressão é maior na ponta e diminui em direção ao quadril, e a faixa deve cobrir todo o coto. Se formigar, afrouxe e avise a equipe.
- Preparo do coto. Dessensibilização com massagem, texturas e água morna e fria, exercícios isométricos do coto e fortalecimento do corpo todo. A equipe mede o comprimento e a circunferência do coto e pede radiografia, como prevê a diretriz.
- Prótese provisória. O MedlinePlus diz que a moldagem pode acontecer quando a ferida está quase toda cicatrizada e a região não dói ao toque. O apoio na ponta é liberado aos poucos.
- Treino. Colocar e tirar a prótese, passar o peso para ela, sentar e levantar, subir e descer escada e rampa, desviar de obstáculo e andar em terreno irregular. O treino costuma começar nas barras paralelas e seguir para andador e muletas.
- Prótese definitiva. Quando o volume do coto estabiliza, o encaixe definitivo é feito. O acompanhamento continua, porque o coto muda de volume ao longo da vida.
Prótese para esse nível
A prótese para desarticulação de joelho tem encaixe na coxa, joelho protético, tubo e pé. O encaixe é desenhado para aproveitar o apoio na ponta do coto, que é o que diferencia esse nível.
O joelho precisa ser pensado para a coxa longa. A Amputee Coalition descreve o joelho policêntrico, chamado de "quatro barras": ele encurta durante o passo, o que ajuda o pé a não raspar no chão, e se dobra por baixo do encaixe ao sentar, o que diminui a diferença de altura. Também existem joelhos controlados por microprocessador.
Veja o guia da prótese para desarticulação de joelho e o catálogo de componentes, com as páginas de joelhos protéticos e pés protéticos. Quais peças servem para você sai da avaliação e da prescrição.
Reabilitação e dia a dia
No começo, a cadeira de rodas é o principal meio de deslocamento, e ela precisa estar ajustada ao corpo. Antes de andar, a fisioterapia ensina as transferências e o equilíbrio em pé, com peso na perna que ficou.
O fortalecimento é do corpo inteiro: braços para as transferências e as muletas, tronco, quadril e a outra perna. A perna que ficou precisa de atenção, principalmente quando a causa foi diabetes ou circulação.
A terapia ocupacional ajuda nas tarefas da casa e do trabalho, como banho, vestir e sentar em cadeiras diferentes. Ao sentar, a coxa do lado da prótese pode parecer mais longa, e vale combinar com o protesista o que é possível ajustar.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre desarticulação de joelho e amputação acima do joelho?
Na desarticulação, o fêmur fica inteiro e a separação é feita na articulação. Na amputação transfemural, o fêmur é cortado no meio da coxa. Isso muda o apoio do coto e o tipo de encaixe.
Dá para apoiar o peso na ponta do coto?
Em geral sim, e essa é a principal característica desse nível. A carga é liberada aos poucos, conforme a pele e a cicatriz permitem.
O joelho da prótese fica na mesma altura do outro?
Nem sempre. Como a coxa é inteira, o joelho protético fica abaixo do encaixe. Joelhos policêntricos ajudam a reduzir essa diferença ao sentar.
A cicatrização é mais demorada?
Pode ser. O estudo de Manchester cita a tendência de cicatrização lenta como uma desvantagem desse nível. A equipe acompanha a ferida de perto.
Preciso enfaixar o coto?
Sim, com orientação da equipe. O enfaixamento reduz o inchaço e modela o coto. Uma malha compressiva pode substituir a faixa.
Existe joelho eletrônico para desarticulação?
Existem joelhos controlados por microprocessador. Se algum modelo serve para a sua coxa longa é uma pergunta para o protesista, e a indicação depende do seu nível de atividade e da avaliação.
Leia também
- O que é desarticulação de joelho
- Próteses para joelho
- Como preparar o coto para a prótese
- Direitos da pessoa amputada e agende uma avaliação
Fontes
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
- Össur. All About Leg Amputation.
- Amputee Coalition. Limb Loss Definitions.
- Amputee Coalition. Beginning Your New Journey: Above-Knee Amputation (seção de joelhos protéticos). 2025.
- PubMed Central (NIH). Rehabilitation of Patients with Through-knee Amputation.
- MedlinePlus (NIH). Leg or foot amputation.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.
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