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Amputação transfemoral

O que muda quando a perna é amputada acima do joelho, como fica o coto e o caminho até a prótese.

Ilustração de uma mulher com prótese acima do joelho caminhando na calçada

Resposta curta: A amputação transfemoral é feita na coxa, entre o quadril e o joelho, através do fêmur. O joelho sai junto com a perna. Por isso a prótese precisa de um joelho protético, e a reabilitação trabalha muito o quadril e o equilíbrio.

Onde é feita

A Össur define a amputação transfemoral como a que passa pelo osso da coxa, entre o quadril e o joelho. No dia a dia ela é chamada de amputação acima do joelho. Em inglês aparece como "above knee", ou AK. No Brasil também se escreve transfemural, como nas Diretrizes do Ministério da Saúde.

O que se preserva: a articulação do quadril e parte do fêmur, com os músculos da coxa que ficam. O que sai: o joelho, a perna, o tornozelo e o pé.

A orientação do Ministério da Saúde para o cirurgião é preservar tanto comprimento quanto possível, com boa cobertura de pele e sensibilidade preservada. Na coxa, um coto mais longo dá mais superfície para o encaixe trabalhar.

Por que é indicada

As causas mais frequentes de amputação de perna, segundo o Ministério da Saúde, são as complicações da doença vascular periférica e do diabetes, mais comuns em pessoas idosas. O trauma, principalmente acidente de trânsito e ferimento por arma de fogo, é a segunda maior causa.

O MedlinePlus lista também infecção que não cede, tumor, queimadura grave e ferida que não cicatriza. A amputação acima do joelho é escolhida quando não é possível preservar o joelho com segurança, por falta de circulação, de pele ou por extensão da lesão.

Como fica o coto

O coto transfemoral é a coxa que ficou. A Amputee Coalition descreve encaixes que trabalham com a coxa inteira e com a região do ísquio, o osso em que a gente senta. Quanto a ponta do coto aguenta de carga é avaliado pelo protesista em cada caso.

O cuidado principal é o quadril. A Amputee Coalition explica que pessoas com amputação acima do joelho podem ter contratura no quadril, quando ele perde movimento e fica travado dobrado ou aberto. Contratura dói e atrapalha a marcha com a prótese.

O Ministério da Saúde lista os hábitos que favorecem essa contratura e que devem ser evitados: deixar o quadril dobrado, com a coxa aberta ou virada para fora, e colocar travesseiro ou cobertor embaixo do coto. Na cama, o quadril deve ficar em posição neutra, e o coto não deve ficar para fora do leito.

O volume do coto também muda, mais no primeiro ano, e continua mudando ao longo da vida. Meias de prótese e ajustes no encaixe compensam essa variação.

O que esperar, fase a fase

As faixas de tempo abaixo vêm de um guia da Amputee Coalition, dos Estados Unidos. São referência. O tempo real depende da cicatrização, da força, do equilíbrio, da idade e da condição clínica de cada pessoa.

  1. Cirurgia e internação. A mobilização do coto começa entre 24 e 48 horas depois da cirurgia, segundo o Ministério da Saúde, sempre com cuidado com a ferida. Já no hospital a equipe orienta a posição na cama.
  2. Cicatrização e enfaixamento. O enfaixamento compressivo reduz o inchaço e modela o coto. A pressão é maior na ponta e menor perto do quadril. Na amputação transfemoral, o Ministério da Saúde orienta que a faixa suba até a cintura, para cobrir todo o coto. Se formigar, afrouxe e avise a equipe.
  3. Preparo do coto. Na referência da Amputee Coalition, entre duas e quatro semanas o inchaço diminui e começa a terapia pré-protética. Entram dessensibilização, exercícios isométricos do coto, alongamento do quadril e fortalecimento dos braços, do tronco e da outra perna.
  4. Prótese provisória. O MedlinePlus diz que a moldagem pode acontecer quando a ferida está quase toda cicatrizada e não dói ao toque. No guia da Amputee Coalition, a primeira prova aparece como referência entre 8 e 12 semanas.
  5. Treino. A fisioterapia ensina a colocar e tirar a prótese, confiar no joelho protético, passar o peso para a prótese, sentar e levantar, subir e descer escada e rampa e andar em terreno irregular. O treino costuma ir das barras paralelas para andador e muletas.
  6. Prótese definitiva. O coto continua amadurecendo nos primeiros meses de uso. Quando o volume estabiliza, o encaixe definitivo é feito, e o acompanhamento regular mantém o conforto.

Prótese para esse nível

A prótese transfemoral tem encaixe, joelho, tubo e pé, e em geral um liner entre a pele e o encaixe. A Amputee Coalition descreve três desenhos básicos de encaixe: o quadrilateral, o de contenção isquiática, que abraça o osso em que a gente senta e dá mais controle, e o subisquiático, mais baixo, que costuma pedir suspensão a vácuo.

O joelho protético é a peça que mais muda a marcha. A mesma fonte descreve o joelho policêntrico, de "quatro barras", que encurta no passo para o pé não raspar no chão, e os joelhos com microprocessador, que reagem ao passo em tempo real. Estudos citados pela Amputee Coalition associam esses joelhos a menos tropeços e quedas, mas a indicação depende de cada pessoa.

Veja o guia da prótese transfemoral e o catálogo de componentes, com as páginas de joelhos protéticos, pés protéticos e encaixes. A escolha sai da avaliação e da prescrição.

Reabilitação e dia a dia

Andar com prótese acima do joelho pede mais esforço do que abaixo do joelho. O NHS explica que a prótese exige bastante energia, porque o corpo compensa o músculo e o osso que faltam. Por isso o condicionamento do corpo todo faz parte do tratamento.

No começo, a cadeira de rodas é o principal meio de deslocamento, e ela deve estar ajustada ao corpo. A fisioterapia ensina as transferências antes da marcha, e o fortalecimento dos braços prepara para muletas e barras.

A terapia ocupacional trabalha banho, vestir, cozinha e trabalho. Algumas tarefas continuam sem a prótese, como levantar à noite ou tomar banho, e o apoio mais seguro para cada uma deve ser combinado com a equipe.

Para dirigir, existem adaptações de carro, como pedal de acelerador do lado esquerdo e comandos manuais. A habilitação especial é tratada na página de direitos.

Perguntas frequentes

Amputação transfemoral e transfemural são a mesma coisa?

Sim. As duas grafias aparecem. Ambas querem dizer amputação pela coxa, acima do joelho.

Posso apoiar o peso na ponta do coto?

Isso é avaliado caso a caso. O encaixe transfemoral trabalha com a coxa e com a região do ísquio. O nível conhecido pelo apoio na ponta é a desarticulação de joelho.

Por que a faixa tem que ir até a cintura?

Para cobrir o coto inteiro, até a virilha, sem deixar um anel de pressão. É a orientação do Ministério da Saúde para esse nível.

Que joelho protético vou usar?

Depende do seu nível de atividade, do coto e do objetivo. Existem joelhos mecânicos de um eixo, policêntricos e com microprocessador. A indicação sai da avaliação e da prescrição.

Quanto tempo leva até andar com a prótese?

Não há prazo fixo. A Amputee Coalition cita a primeira prova entre 8 e 12 semanas como referência, mas o treino continua por meses e depende do seu corpo.

Como evitar que o quadril trave?

Evite travesseiro embaixo do coto e longos períodos com o quadril dobrado. Faça os alongamentos que a fisioterapia passar e mantenha o quadril em posição neutra na cama.

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Fontes

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.

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