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Amputação de raio

Quando o dedo sai junto com parte do osso do pé: o que muda no apoio e como cuidar do pé que ficou.

Ilustração de uma protesista mostrando num modelo do pé o raio do dedo e do metatarso, ao lado da palmilha com preenchimento

Resposta curta: A amputação de raio retira um dedo do pé junto com parte do osso longo que o continua, o metatarso. O pé fica mais estreito, mas o calcanhar e o meio do pé continuam. Depois da cicatrização, o foco é proteger a planta do pé e ajustar o calçado.

Onde é feita

O pé tem cinco raios. Cada raio é um dedo mais o metatarso, o osso comprido que vai da base do dedo até o meio do pé. A cabeça do metatarso é a parte que forma a "bola" do pé, onde você apoia o peso no fim do passo.

Na amputação de raio, o cirurgião retira o dedo e ao menos a cabeça do metatarso, às vezes mais. Um estudo de 2025 sobre pé diabético descreve essa cirurgia como a retirada do dedo com ressecção da cabeça do metatarso. Ela pode envolver um raio ou mais de um, conforme a extensão do problema.

É um dos níveis que o Ministério da Saúde agrupa como amputação parcial do pé. Nas Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada, a orientação geral é preservar o máximo de comprimento possível, num nível que cicatrize bem e mantenha pele e sensibilidade.

Por que é indicada

A indicação mais comum é a infecção que chegou ao osso em pessoas com diabetes. O mesmo estudo de 2025 cita gangrena úmida, osteomielite e infecção grave do pé. A decisão entre retirar só o dedo ou o raio inteiro depende de até onde a infecção avançou no osso e nos tecidos moles.

Trauma, feridas que não cicatrizam, tumores e má circulação também estão entre as causas de amputação de pé listadas pelo MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. No Brasil, as diretrizes do Ministério da Saúde apontam a doença vascular periférica e o diabetes como a origem da maior parte das amputações de membro inferior.

Como fica o coto

Você mantém o calcanhar, o meio do pé e os raios que não foram retirados. O pé continua sendo uma base de apoio, e muita gente volta a andar com o próprio pé dentro do calçado.

O que muda é a forma do pé e a distribuição do peso. O pé fica mais estreito, e a pressão que ia para a cabeça do metatarso retirado passa para os vizinhos. Isso cria pontos de maior carga na planta do pé, que precisam de proteção.

A literatura mostra por que o acompanhamento importa. No estudo de 2025, a infecção voltou em cerca de metade dos casos, e parte das pessoas precisou de nova cirurgia. Um acompanhamento de 10 anos, publicado em 2025, registrou volta da úlcera em 53,2% dos pacientes com amputações menores do pé. Esses números não dizem o que vai acontecer com você, mas explicam a insistência da equipe em cuidar do pé todos os dias.

O que esperar, fase a fase

  1. Cirurgia e internação: o tempo depende da saúde geral e do controle da infecção. Você aprende a se transferir e a andar com apoio, se for preciso.
  2. Cicatrização: o MedlinePlus orienta não colocar peso sobre a ferida por pelo menos 2 semanas, ou mais. A ferida fica limpa e seca, sem banho de imersão.
  3. Controle do inchaço: faixa elástica ou meia compressiva, com a compressão maior na ponta e menor em direção ao tornozelo, como orienta o Ministério da Saúde.
  4. Preparo do pé: massagem na cicatriz e estímulos de textura e temperatura, com a ferida já fechada, para dessensibilizar a região.
  5. Palmilha ou prótese provisória: quando a ferida está fechada e a área não dói ao toque, o protesista avalia a pressão na planta e o espaço que sobrou no calçado.
  6. Treino: com o fisioterapeuta, equilíbrio, transferência de peso, rampa, escada e terreno irregular.
  7. Solução definitiva: palmilha sob medida, preenchimento ou prótese parcial, com revisões periódicas.

O ritmo varia de pessoa para pessoa. Circulação, glicemia e cicatrização pesam mais do que qualquer calendário.

Prótese para esse nível

Na amputação de raio, a solução costuma ficar dentro do calçado. Para amputações parciais de pé, a Cleveland Clinic descreve a palmilha ortopédica sob medida que preenche a parte que falta, a órtese de tornozelo e pé com a parte do pé adaptada, a prótese de silicone e a palmilha de fibra de carbono que vai até a ponta do pé.

Qual delas serve depende de quantos raios foram retirados, de quais foram, da pele da planta e da sua rotina. Veja o guia da prótese de pé e o da prótese de dedo do pé. No catálogo de componentes estão os pés protéticos e as próteses de dedos.

Reabilitação e dia a dia

Em casa, a rotina é olhar o pé todo dia, com espelho se precisar, lavar com sabão neutro e secar bem, como orienta o MedlinePlus. Vermelhidão, calor, secreção, febre ou mau cheiro são motivos para ligar para o cirurgião.

A fisioterapia trabalha o equilíbrio e o novo jeito de apoiar o pé. A terapia ocupacional ajuda a organizar o cuidado com os pés e a volta às tarefas de casa e do trabalho. As diretrizes do Ministério da Saúde pedem também vigilância constante do outro pé.

Tristeza, raiva e a sensação de que o dedo ainda está lá são reações descritas pelo MedlinePlus depois da cirurgia. Conte para a equipe o que você sente.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre amputar o dedo e amputar o raio?

Na amputação de dedo sai só o dedo. Na de raio sai o dedo e parte do metatarso, o osso que forma a "bola" do pé.

Vou conseguir andar sem prótese?

Em geral você continua pisando com o próprio pé, porque o calcanhar e o meio do pé ficam. O calçado e a palmilha fazem muita diferença na proteção da planta.

Por que o pé ficou mais largo em outro ponto ou com calos?

Porque a pressão passou para os raios vizinhos. Calo ou vermelhidão nesses pontos devem ser mostrados à equipe logo.

Existe risco de precisar operar de novo?

Existe, principalmente quando a causa é infecção no pé diabético. Estudos mostram reinfecção e nova cirurgia em parte dos casos, por isso o acompanhamento continua depois da alta.

O que posso usar no sapato?

Palmilha sob medida, preenchimento ou prótese parcial. O protesista define na avaliação, olhando a planta do pé e o seu calçado.

A prótese de pé tem cobertura do SUS ou do plano?

Há regras próprias para cada caso. A página de direitos explica os caminhos.

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Fontes

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.

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