Hemicorporectomia
O que é a amputação translombar, por que ela é feita e o que se sabe sobre a reabilitação depois dela.

Resposta curta: A hemicorporectomia, também chamada de amputação translombar, é a retirada da metade inferior do corpo na altura da coluna lombar: a pelve, os órgãos da pelve e as duas pernas. É uma cirurgia muito rara, reservada para doenças graves que ameaçam a vida. Depois dela, a reabilitação é longa e feita caso a caso.
Onde é feita
Um relato de caso publicado em 2025 no PubMed Central, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, descreve a hemicorporectomia como uma cirurgia em duas etapas. Ela separa a coluna na região lombar, a parte baixa das costas, e retira a pelve, os órgãos da pelve, os genitais externos e as duas pernas.
Como os órgãos da pelve saem, a cirurgia inclui a criação de novos caminhos para a urina e as fezes, chamados de condutos, com saída pela barriga. Esse é um ponto que distingue a hemicorporectomia de todos os outros níveis desta lista.
A hemicorporectomia não aparece na lista de níveis de amputação das Diretrizes do Ministério da Saúde, que vai da hemipelvectomia ao pé. Ela fica acima de todos eles.
Por que é indicada
O mesmo relato informa que a cirurgia foi feita pela primeira vez em 1960 e que é usada como último recurso, diante de diagnósticos que ameaçam a vida. No caso descrito, a causa foi um tumor ósseo avançado na pelve, um condrossarcoma.
A indicação é sempre de uma equipe cirúrgica especializada, depois de avaliar outras alternativas. Não é uma decisão comum, e cada caso é discutido de forma individual.
Como fica o corpo
Depois da hemicorporectomia não existe coto de perna. O corpo termina na região lombar, e é ela que vai receber o apoio ao sentar. Com isso, três cuidados passam a ser centrais:
- Pele e pressão. Toda a área de apoio precisa ser protegida, porque passa a carregar o peso do tronco.
- Condutos de urina e fezes. A pessoa e a família aprendem a cuidar das bolsas e da pele ao redor delas com a equipe de enfermagem.
- Equilíbrio sentado. Sentar com estabilidade é o primeiro objetivo da reabilitação.
Esses cuidados são descritos aqui de forma geral. As fontes abertas para esta página não detalham um protocolo de cuidados próprio desse nível, e ele deve ser montado pela equipe que acompanha a pessoa.
O que esperar, fase a fase
Não há uma linha do tempo padrão, porque os casos são poucos. O relato de 2025 descreve uma internação de 74 dias, com reabilitação ainda dentro do hospital. Tome esse número como um exemplo, não como previsão.
- Cirurgia e internação. A cirurgia é feita em duas etapas e exige cuidado intensivo. A internação tende a ser longa.
- Cicatrização. A equipe acompanha a ferida, os condutos e a pele de apoio.
- Reabilitação no hospital. Começa com mobilidade na cama, equilíbrio sentado e transferências.
- Adaptação da postura sentada. A equipe define com você como sentar com segurança e conforto.
- Treino para o dia a dia. Fisioterapia e terapia ocupacional trabalham força dos braços e do tronco, transferências e atividades de vida diária.
- Acompanhamento. O cuidado segue por muito tempo depois da alta, com revisões da postura, da pele e dos condutos.
Prótese para esse nível
Nesse nível, o foco costuma ser a postura sentada e a mobilidade em cadeira de rodas. As fontes que consultamos não descrevem um tipo de prótese de uso padrão para a hemicorporectomia. Por isso não indicamos um modelo nesta página.
Se você ou alguém da família passou por essa cirurgia, a avaliação com a equipe de reabilitação e com o protesista é o caminho para entender o que faz sentido no seu caso. Para os níveis mais próximos, veja o guia da prótese para hemipelvectomia e o catálogo de componentes.
Reabilitação e dia a dia
A reabilitação é feita por uma equipe com vários profissionais: médicos, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia, como prevê o Ministério da Saúde para qualquer pessoa amputada. Nesse nível, o apoio da enfermagem para os condutos e o da psicologia para a adaptação pesam muito.
O Ministério da Saúde lembra também que a equipe deve apresentar as possibilidades de volta ao trabalho e informar os direitos da pessoa com deficiência. Veja a página de direitos.
Perguntas frequentes
Hemicorporectomia e amputação translombar são a mesma coisa?
Sim. São dois nomes para a mesma cirurgia, que separa o corpo na altura da coluna lombar.
Por que essa cirurgia é feita?
Para tratar doenças graves que ameaçam a vida, como tumores avançados na pelve, quando outras opções não resolvem. É um último recurso.
É uma cirurgia comum?
Não. É muito rara. O relato de 2025 no PubMed Central cita a dificuldade de achar casos parecidos na literatura médica.
Existe prótese para esse nível?
As fontes consultadas não descrevem uma prótese padrão. A indicação de qualquer dispositivo depende da avaliação da equipe de reabilitação.
Quanto tempo dura a internação?
Não há prazo fixo. No caso descrito em 2025 foram 74 dias, com reabilitação ainda no hospital, mas cada pessoa tem o seu tempo.
Leia também
- Amputação por tumor ósseo
- O que é nível de amputação
- Direitos da pessoa amputada e fale com a equipe
Fontes
- PubMed Central (NIH). Multimodal anesthesia for hemicorporectomy suggests creating a standardized anesthesia guideline: a case report. 2025.
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.
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