Amputação transumeral
A amputação acima do cotovelo preserva o ombro e parte do braço. Veja como fica o coto e como é a reabilitação.

Resposta curta: A amputação transumeral é feita no braço, entre o ombro e o cotovelo, cortando o úmero. O ombro fica preservado, mas o cotovelo, o antebraço e a mão precisam ser substituídos pela prótese. Por isso a prótese desse nível tem mais peças e pede mais treino que as de nível mais baixo.
Onde é feita
O braço tem um osso só, o úmero, que vai do ombro ao cotovelo. Na amputação transumeral, o cirurgião corta o úmero em algum ponto desse trajeto. O nome vem de "trans", que quer dizer através, e de úmero.
O nome popular é amputação acima do cotovelo. Em inglês, aparece como AE, de above elbow. A Ottobock divide esse nível em três alturas: curto, médio e longo.
Segundo a Össur, a amputação transumeral corresponde a 26% das amputações maiores do membro superior. Nas Diretrizes do Ministério da Saúde, ela aparece entre a desarticulação do ombro e a desarticulação do cotovelo.
Por que é indicada
A Amputee Coalition aponta o trauma e o câncer como as causas mais frequentes de amputação do membro superior, seguidos das complicações vasculares. No braço, trauma costuma ser acidente de trânsito, acidente de trabalho, choque elétrico ou esmagamento.
A escolha da altura do corte é do cirurgião. A regra geral das Diretrizes do Ministério da Saúde é preservar o máximo de comprimento possível, num nível que garanta boa cicatrização, boa cobertura de pele e sensibilidade.
Diferenças de membro presentes desde o nascimento são tratadas na página de amputação congênita.
Como fica o coto
- Ombro preservado. O movimento do ombro é o que vai mover e posicionar a prótese. Por isso, manter o ombro solto e forte é prioridade desde os primeiros dias.
- Comprimento do úmero. A Össur explica que a altura do corte afeta a função. Quanto mais longo o coto, mais alavanca para mover a prótese.
- Várias articulações a substituir. A prótese precisa de cotovelo, punho e mão. A Össur resume: quanto mais alta a amputação, mais complexa a situação e a protetização.
- Tirante. A Amputee Coalition explica que a maioria das próteses de membro superior precisa de tirante, principalmente acima do cotovelo. Ele capta o movimento dos ombros, do pescoço e das costas, segundo a Amputee Coalition.
- Outro braço e coluna. A Amputee Coalition alerta para o risco de sobrecarga no braço que ficou, com dor no ombro, no pescoço e no cotovelo, e síndrome do túnel do carpo.
O que esperar, fase a fase
As fases são referência. O tempo de cada uma depende da cicatrização, da causa e da sua saúde.
- Cirurgia e internação. Depois da cirurgia, os cuidados passam dos pontos para a ferida e o controle da dor. As Diretrizes do Ministério da Saúde orientam começar a mobilizar o coto entre 24 e 48 horas e manter o movimento do ombro e das outras articulações.
- Cicatrização e enfaixamento. O enfaixamento compressivo reduz o inchaço e modela o coto. A pressão é maior na ponta e diminui em direção ao ombro, e deve cobrir todo o coto. Se formigar, a faixa deve ser afrouxada.
- Preparo do coto. Exercícios isométricos no coto, fortalecimento global do tronco e do outro braço, dessensibilização e treino das tarefas com uma mão. A terapia ocupacional começa antes da prótese, sempre que possível.
- Prótese provisória. Com o coto estável, vem a moldagem, a prova e o ajuste. A Amputee Coalition diz que, para muitas pessoas, a prova e o treino da prótese de membro superior acontecem nos três primeiros meses. É referência, não prazo.
- Treino. Você aprende a colocar e tirar a prótese, a controlar o cotovelo e a mão, a pegar objetos e a se adaptar ao peso deles e à nova sensibilidade, como descrevem as Diretrizes. O uso cresce aos poucos, com checagem da pele.
- Prótese definitiva e acompanhamento. Depois dos ajustes, vem a definitiva. O coto muda de volume com o tempo, e o encaixe precisa de revisão.
Prótese para esse nível
A prótese transumeral tem encaixe no braço, cotovelo protético, antebraço, punho e dispositivo terminal. As opções são:
- Estética ou passiva, mais leve, para apoiar, carregar e posicionar objetos. O cotovelo é posicionado com a outra mão.
- Mecânica, com tirante e cabo. O movimento do ombro e das costas dobra o cotovelo e abre ou fecha a mão ou o gancho.
- Híbrida, com cotovelo movido pelo corpo e mão ou gancho mioelétrico. A Amputee Coalition diz que esse tipo costuma ser usado por quem tem amputação acima do cotovelo.
- Mioelétrica, com bateria e sensores que leem a contração dos músculos do coto para comandar o cotovelo e a mão. Tem custo e peso maiores, segundo a mesma fonte.
Há também uma cirurgia chamada reinervação muscular dirigida (TMR), em que nervos do braço são transferidos para músculos do peito. A Amputee Coalition explica que ela é feita com mais frequência em amputações acima do cotovelo, para gerar mais sinais de comando para a prótese mioelétrica. A indicação é do cirurgião.
Veja o guia de prótese transumeral, o de prótese de braço e os catálogos de cotovelos e de mãos protéticas. A combinação certa sai da avaliação.
Reabilitação e dia a dia
A terapia ocupacional conduz o treino antes, durante e depois da prótese. Ela ensina autocuidado, tarefas de casa e de trabalho com e sem prótese, e trabalha junto com o protesista. A fisioterapia cuida da força, da postura e do equilíbrio, e ajuda a evitar sobrecarga no outro braço e na coluna.
A Amputee Coalition lembra que usar ou não usar prótese é uma decisão pessoal, que pode mudar ao longo da vida. Algumas pessoas começam sem prótese e decidem usá-la depois. Outras usam mais de uma, cada uma para uma atividade.
Adaptações simples ajudam no dia a dia, como abridor de pote, tábua de cortar para uma mão, pomo no volante e teclado para uma mão. Sobre trabalho, carro adaptado e benefícios, veja a página de direitos.
Perguntas frequentes
Amputação transumeral é o mesmo que amputação acima do cotovelo?
Sim. Transumeral é o nome técnico da amputação feita no braço, entre o ombro e o cotovelo.
A prótese transumeral é pesada?
Ela tem mais componentes que uma prótese abaixo do cotovelo, e as elétricas pesam mais que as mecânicas, segundo a Amputee Coalition. O protesista busca o equilíbrio entre peso e função no seu caso.
Como a prótese dobra o cotovelo?
Na mecânica, por um cabo puxado pelo movimento do ombro e das costas. Na mioelétrica, por sinais dos músculos do coto. Na híbrida, uma parte de cada jeito.
O que é TMR?
É uma cirurgia que transfere nervos do braço para músculos do peito, para que eles gerem sinais que comandam a prótese. É feita com mais frequência acima do cotovelo, segundo a Amputee Coalition.
Quando posso fazer a prótese?
Depois que a pele fecha e o volume do coto estabiliza. A Amputee Coalition cita os três primeiros meses como período comum de prova e treino, mas depende de cada pessoa.
Vou sentir o braço que foi amputado?
É comum. A sensação e a dor fantasma são reais, segundo o NHS, e têm tratamento. Conte ao médico o que você sente.
Leia também
- O que é amputação transumeral
- O que é amputação de braço
- Próteses para membros superiores
- Síndrome do membro fantasma
- Direitos da pessoa amputada
- Agendar avaliação
Fontes
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
- Amputee Coalition. Beginning Your New Journey: Upper Limb Amputation.
- Amputee Coalition. Beginning Your New Journey: Wrist Disarticulation (adaptações do dia a dia).
- Össur. Understanding Upper Limb Amputation.
- Ottobock. Defining Amputation Levels.
- NHS. Amputation.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.
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