Desarticulação de ombro
O braço inteiro é retirado na articulação do ombro. Veja o que se preserva e como é a reabilitação.

Resposta curta: A desarticulação de ombro é a retirada do braço inteiro na articulação do ombro. A escápula e a clavícula, que formam a cintura escapular, ficam no lugar. Como não sobra braço para mover a prótese, ela se apoia no tronco e pede um treino mais longo e cuidadoso.
Onde é feita
O ombro é a articulação entre a cabeça do úmero, o osso do braço, e a escápula, o osso chato das costas. A clavícula liga a escápula ao peito. Juntas, escápula e clavícula formam a cintura escapular.
Na desarticulação de ombro, o cirurgião separa o úmero na articulação do ombro. A Amputee Coalition define esse nível como a amputação através da articulação do ombro. Quando a cintura escapular fica preservada e só a articulação é amputada, o nome é desarticulação de ombro.
Ela é diferente da amputação interescapulotorácica, em que também se retiram a escápula e a clavícula. Esse nível tem página própria: amputação interescapulotorácica.
Nas Diretrizes do Ministério da Saúde, a desarticulação do ombro é o primeiro nível da lista do membro superior, o mais alto.
Por que é indicada
A Amputee Coalition aponta o trauma e o câncer como as causas mais frequentes de amputação do membro superior, seguidos das complicações vasculares. A Academia Americana de Medicina Física e Reabilitação (AAPMR) explica que o câncer costuma levar a amputações mais altas, como a desarticulação de ombro.
Trauma, nesse nível, quer dizer lesões graves do braço, como esmagamento, acidente com máquina ou choque elétrico. A decisão é do cirurgião, conforme a lesão e os tecidos disponíveis.
Como fica o coto
- Contorno do ombro. Com a escápula e a clavícula no lugar, o formato do ombro fica em parte preservado.
- Sem braço de alavanca. Não sobra úmero para mover a prótese. O comando vem do movimento da cintura escapular e do tronco, ou de sinais musculares.
- Muitas funções a substituir. A Össur explica que, na desarticulação de ombro, são esperadas restrições funcionais amplas, e que quanto mais alta a amputação, mais complexa a protetização.
- Postura e coluna. A AAPMR relata maior risco de dor no pescoço, no alto das costas, no ombro e na lombar em quem tem amputação do membro superior.
- Outro braço. O braço que ficou faz quase tudo. A Amputee Coalition alerta para lesões por excesso de uso, como síndrome do túnel do carpo e dor no ombro, no pescoço e no cotovelo.
O que esperar, fase a fase
As fases são referência. O tempo de cada uma depende da cicatrização, da causa e da sua saúde. Quando a causa é um tumor, o tratamento oncológico também entra no calendário.
- Cirurgia e internação. Depois da cirurgia, o foco é a ferida e o controle da dor. As Diretrizes do Ministério da Saúde orientam começar a mobilização entre 24 e 48 horas e manter o movimento das outras articulações do corpo.
- Cicatrização e compressão. A compressão reduz o inchaço e prepara a região. Nesse nível, o protesista e a equipe orientam a melhor forma de fazer isso, porque não há um coto comprido para enfaixar.
- Preparo. Fortalecimento do tronco, da cintura escapular e do outro braço, exercícios de postura e dessensibilização da cicatriz. A terapia ocupacional começa cedo, com o treino das tarefas com uma mão.
- Prótese provisória. Com a região estável, vem a moldagem, a prova e o ajuste do encaixe no tronco. A Amputee Coalition diz que, para muitas pessoas, a prova e o treino da prótese de membro superior acontecem nos três primeiros meses. Nesse nível, pode levar mais tempo.
- Treino. Você aprende a vestir a prótese, a comandar o cotovelo e a mão, a pegar objetos e a se adaptar ao peso deles. O uso começa em períodos curtos, com checagem da pele.
- Prótese definitiva e acompanhamento. Depois dos ajustes, vem a definitiva, com revisões ao longo do tempo.
Prótese para esse nível
A prótese para desarticulação de ombro tem um encaixe apoiado no ombro e no tronco, uma articulação de ombro, um braço, um cotovelo, um antebraço, um punho e um dispositivo terminal. As opções:
- Estética ou passiva, mais leve. Devolve o contorno do ombro e do braço e ajuda a apoiar objetos. As articulações são posicionadas com a outra mão.
- Mecânica, com tirante e cabo movidos pelos ombros, pelo pescoço e pelas costas, como explica a Amputee Coalition.
- Híbrida, que combina partes movidas pelo corpo e partes mioelétricas.
- Mioelétrica, com bateria e sensores. Tem custo e peso maiores, segundo a Amputee Coalition.
O peso é uma questão importante nesse nível, porque ele fica todo apoiado no tronco. A escolha equilibra peso, função e conforto. Veja o guia de prótese para desarticulação do ombro, o de prótese de braço e o catálogo de componentes, incluindo cotovelos e mãos. A indicação sai da avaliação.
Reabilitação e dia a dia
A reabilitação é feita em equipe. A terapia ocupacional ensina a fazer as tarefas de autocuidado, de casa e de trabalho com e sem prótese, e trabalha junto com o protesista. A fisioterapia cuida da postura, da força do tronco e do outro braço, e ajuda a prevenir dor na coluna.
A Amputee Coalition lembra que usar ou não usar prótese é uma decisão pessoal e que ela pode mudar com o tempo.
Adaptações da casa, do carro e do trabalho fazem diferença. A equipe deve orientar sobre retorno ao trabalho e direitos, como pedem as Diretrizes do Ministério da Saúde. Veja a página de direitos.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre desarticulação de ombro e amputação interescapulotorácica?
Na desarticulação, o braço sai na articulação do ombro e a escápula e a clavícula ficam. Na interescapulotorácica, elas também são retiradas.
Existe prótese para quem amputou o braço inteiro?
Existe. Ela se apoia no ombro e no tronco e pode ser estética, mecânica, híbrida ou mioelétrica. O tipo certo depende da avaliação.
A prótese de ombro é pesada?
Ela substitui o braço inteiro, então tem mais componentes. As elétricas pesam mais que as mecânicas, segundo a Amputee Coalition. O peso entra na escolha.
Vou ter dor nas costas?
Existe maior risco de dor no pescoço, nas costas e no ombro, segundo a AAPMR. Fisioterapia, postura e um encaixe bem ajustado ajudam a prevenir.
Quando posso fazer a prótese?
Depois da cicatrização e, se for o caso, com liberação do tratamento oncológico. O tempo varia de pessoa para pessoa.
É normal sentir o braço que foi amputado?
É comum. A sensação e a dor fantasma são reais, segundo o NHS, e têm tratamento.
Leia também
- O que é amputação de braço
- Amputação de membros superiores
- Amputação por tumor ósseo
- Síndrome do membro fantasma
- Direitos da pessoa amputada
- Agendar avaliação
Fontes
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
- Amputee Coalition. Beginning Your New Journey: Upper Limb Amputation.
- Amputee Coalition. Limb Loss Definitions.
- Össur. Understanding Upper Limb Amputation.
- AAPMR. Upper Limb Amputations, PM&R KnowledgeNow.
- NHS. Amputation.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.
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