Amputação interescapulotorácica
O nível mais alto do membro superior retira braço, escápula e clavícula. Veja o que muda na reabilitação.

Resposta curta: A amputação interescapulotorácica retira o braço inteiro junto com a escápula e a clavícula. É o nível mais alto do membro superior e costuma ser indicado no tratamento de tumores. A prótese, quando usada, se apoia no tronco e é escolhida junto com a equipe.
Onde é feita
A escápula é o osso chato das costas, e a clavícula liga a escápula ao peito. Juntas, formam a cintura escapular, que prende o braço ao tronco.
Na amputação interescapulotorácica, o cirurgião retira o braço, o ombro, a clavícula e a escápula. É assim que a Amputee Coalition define a chamada amputação forequarter, que é o nome em inglês desse nível.
A diferença para a desarticulação de ombro é que, lá, a escápula e a clavícula ficam.
Por que é indicada
A AAPMR, sociedade americana de medicina física e reabilitação, explica que a amputação interescapulotorácica costuma ser reservada para casos de tumor.
Quando a causa é um tumor, a cirurgia faz parte de um tratamento maior, conduzido pela equipe de oncologia. O calendário da reabilitação acompanha esse tratamento.
Como fica o coto
- Sem ombro. O lado operado fica sem o contorno do ombro. Isso muda o caimento da roupa e pode incomodar a pessoa.
- Tronco como apoio. Não há osso do braço nem da cintura escapular para apoiar a prótese. Qualquer prótese se apoia no tórax.
- Restrições amplas. A Össur explica que, nos níveis do ombro, são esperadas restrições funcionais amplas, e que quanto mais alta a amputação, mais complexa a protetização.
- Outro braço. O braço que ficou faz quase tudo. A Amputee Coalition alerta para lesões por excesso de uso, como síndrome do túnel do carpo e dor no ombro, no pescoço e no cotovelo.
O que esperar, fase a fase
As fases são referência. Aqui, o tratamento do tumor, quando existe, define boa parte do tempo.
- Cirurgia e internação. O foco é a ferida, a dor e a recuperação geral. As Diretrizes do Ministério da Saúde orientam manter a mobilidade das outras articulações do corpo desde cedo.
- Cicatrização. A equipe acompanha a cicatriz e orienta a dessensibilização com massagem e texturas quando a pele permitir.
- Preparo. Fortalecimento do tronco e do outro braço, postura e treino das tarefas com uma mão, com a terapia ocupacional.
- Prótese provisória. Se houver indicação, vem a moldagem do tronco, a prova e o ajuste.
- Treino. Colocar e tirar a prótese, usar a prótese como apoio e se adaptar ao peso.
- Prótese definitiva e acompanhamento. Revisões ao longo do tempo, principalmente se o peso do corpo mudar durante o tratamento.
Prótese para esse nível
As opções são as mesmas do membro superior, adaptadas a um encaixe no tronco: estética ou passiva, mecânica, híbrida e mioelétrica. A Amputee Coalition lembra que as elétricas pesam mais e custam mais.
Nesse nível, o peso pesa muito na decisão, porque fica todo sobre o tórax. Uma prótese leve que devolve o contorno do ombro é uma opção para quem quer principalmente o caimento da roupa. A escolha é sua e da equipe. Veja o guia de prótese para desarticulação do ombro, o de prótese estética e o catálogo de componentes.
Reabilitação e dia a dia
A terapia ocupacional ensina a fazer as tarefas com um braço, com adaptações simples como abridor de pote e tábua de cortar para uma mão. A fisioterapia cuida da postura, da força e da prevenção de dor no outro braço e na coluna.
O apoio emocional faz parte do tratamento. O NHS lembra que tristeza, ansiedade e luto são reações comuns depois de uma amputação e que há ajuda para isso. Veja também a página de direitos.
Perguntas frequentes
O que é amputação forequarter?
É o nome em inglês da amputação interescapulotorácica: a retirada do braço, do ombro, da clavícula e da escápula.
Por que essa amputação é feita?
Na maioria das vezes, no tratamento de tumores, segundo a AAPMR. A indicação é sempre do cirurgião.
Dá para usar prótese?
Dá, com encaixe apoiado no tronco. O tipo depende dos seus objetivos, do peso que você tolera e da avaliação.
A roupa vai cair diferente?
Sem o ombro, o caimento muda. Uma prótese de contorno pode ajudar nesse ponto.
É normal sentir o braço que foi amputado?
É comum. A sensação e a dor fantasma são reais, segundo o NHS, e têm tratamento.
Leia também
- Amputação por tumor ósseo
- Amputação de membros superiores
- A importância da psicoterapia pós-amputação
- Direitos da pessoa amputada
- Agendar avaliação
Fontes
- Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
- Amputee Coalition. Limb Loss Definitions.
- Amputee Coalition. Beginning Your New Journey: Upper Limb Amputation.
- Össur. Understanding Upper Limb Amputation.
- AAPMR. Upper Limb Amputations, PM&R KnowledgeNow.
- NHS. Amputation.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.
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