
Resposta curta: No Brasil, a Lei de Cotas obriga empresas com 100 ou mais empregados a reservar vagas para pessoas com deficiência, em proporção que varia com o tamanho da empresa. Mesmo assim, muitas pessoas amputadas ainda encontram resistência na contratação e cobrança maior no cargo. A prótese bem adaptada ajuda na autonomia para trabalhar, e o preconceito precisa ser enfrentado pela empresa inteira.
Por que o trabalho pesa tanto depois da amputação
Voltar a trabalhar, ou conseguir o primeiro emprego, vai além da renda. O trabalho traz convívio com outras pessoas e a sensação de pertencer a um grupo.
Por isso ele faz parte da reabilitação social, financeira e psicológica de quem passou por uma amputação. Uma pessoa que tem para onde ir de manhã, colegas e tarefas tende a reorganizar a rotina com mais firmeza.
O convívio com as diferenças também faz bem para a equipe. Quem passou por uma amputação traz para o trabalho uma experiência de vida que acrescenta outros pontos de vista.
O que diz a Lei de Cotas
A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho no Brasil é amparada pela Lei de Cotas. Ela obriga empresas com 100 ou mais empregados a reservar vagas para pessoas com deficiência.
A proporção de vagas reservadas aumenta conforme cresce o número de empregados da empresa. A pessoa amputada entra nessa reserva.
A lei existe, mas a resistência continua
Quando este texto foi publicado, em 2017, a lei já vigorava havia mais de 20 anos. Ainda assim, havia muita resistência de empregadores, que viam pessoas amputadas como menos qualificadas. É uma exclusão que nasce do preconceito, não da capacidade.
Marcela Mantovani, paciente da Conforpés, descreveu assim a sensação no trabalho: "Esperam muito mais de nós. A impressão que temos é que sempre precisamos fazer mais para nos manter ativos no cargo". A história dela está em Marcela Mantovani: o valor das coisas simples.
Onde a prótese entra
A prótese ortopédica é uma das ferramentas para a pessoa amputada ganhar autonomia e voltar ao trabalho. Ela ajuda no deslocamento até o emprego, no tempo em pé, no uso das duas mãos e nas tarefas do cargo.
Isso vale para diferentes níveis de amputação:
- membro superior, como braço, antebraço e mão;
- amputação transtibial, abaixo do joelho;
- amputação transfemoral, acima do joelho;
- desarticulação de joelho e desarticulação de quadril.
Cada nível pede um tipo de encaixe e de componente. Os guias de prótese de perna e de prótese de braço explicam as opções.
Como pagar a prótese
O original deste texto lembrava que a prótese pode ser paga com o salário ou com o FGTS, que o governo federal liberou para a compra de próteses. Hoje também existe financiamento em até 60 parcelas pelo Crédito Acessibilidade, do Banco do Brasil, e pelo Crédito PCD, da Caixa. As condições, os juros e o custo efetivo total dependem de cada banco e de cada contrato, e o valor da prótese só sai depois da avaliação.
Com renda própria, a pessoa amputada também passa a consumir e a circular mais. Aos poucos, isso aumenta a presença de pessoas amputadas na mídia, em filmes e em produtos do dia a dia.
O que a empresa pode fazer
A inclusão não se resolve só com a vaga preenchida. Ela precisa ser assumida por todos os funcionários. Alguns pontos práticos:
- avaliar a pessoa pelo trabalho que ela faz, não pela amputação;
- conversar com o funcionário sobre adaptações do posto, como cadeira, altura de bancada e tempo de deslocamento;
- entender que a prótese precisa de revisão e ajuste de tempos em tempos, e que isso pode pedir uma consulta em horário de trabalho;
- não cobrar mais de quem usa prótese do que se cobra dos colegas.
A Conforpés e a contratação de pessoas amputadas
Boa parte dos funcionários da Conforpés é formada por ex-pacientes, e muitos usam prótese no dia a dia do trabalho.
O fundador, Nelson Nolé, sabe que conseguir emprego é muito difícil para quem é amputado. Por isso a empresa prefere contratar pessoas que passaram pela amputação. Em 2017, o texto original também registrava que a Conforpés doava 30% do lucro para pessoas amputadas e com deficiência física em situação de carência.
Se você está se preparando para voltar ao trabalho e quer saber qual prótese combina com a sua rotina, agende uma avaliação.
Perguntas frequentes
A pessoa amputada entra na Lei de Cotas?
Sim. A Lei de Cotas reserva vagas para pessoas com deficiência, e a amputação está entre as condições atendidas.
Quais empresas são obrigadas a cumprir a cota?
Empresas com 100 ou mais empregados. A proporção de vagas aumenta conforme o número de empregados.
Dá para usar o FGTS para comprar prótese?
O governo federal liberou o uso do FGTS para a compra de próteses. As regras de saque são da Caixa e podem mudar, então confirme com o banco antes.
A prótese ajuda a voltar ao trabalho?
Ajuda na autonomia para se deslocar e fazer as tarefas. O quanto ajuda depende do nível de amputação, do encaixe e do treino com a fisioterapia.


