
Resposta curta: Marcela Mantovani tem amputação transfemoral desde um acidente de carro e passou 12 anos usando muletas, porque a prótese doía. Depois de uma cirurgia no coto e de um novo encaixe feito na Conforpés, em Sorocaba, ela passou a usar a prótese por até 12 horas seguidas. Este é um registro de 2017, contado com os fatos que ela relatou na época.
Quem é Marcela e o que ela queria
Luiza, filha de Marcela, sempre quis correr, brincar de esconde-esconde, andar de bicicleta e passear de mãos dadas com a mãe. Marcela não conseguia acompanhar boa parte dessas brincadeiras.
Em 2017, fazia 13 anos que ela tinha passado por um acidente automobilístico grave. O acidente levou a uma amputação transfemoral, ou seja, acima do joelho. Para entender o que isso significa, veja o guia da prótese transfemoral.
Marcela contou que ficou na UTI e que, quando se recuperou, agradecia todos os dias por poder ver o céu azul.
Os anos depois da amputação
Em 2009, cinco anos depois do acidente, Marcela se casou. Cinco anos mais tarde, Luiza nasceu.
Ela descreveu esses 13 anos como um tempo de muito aprendizado. Disse que ficou mais madura e que é grata por estar aqui.
Por que ela passou 12 anos de muletas
A maior dificuldade de Marcela foi a adaptação à prótese. Durante 12 anos ela preferiu as muletas, por causa da dor.
"Fazia tudo com as muletas, cozinhava, lavava e estendia roupa, pois já estava acostumada", contou. As próteses que ela tinha usado até ali causavam muita dor, e ela não conseguia ficar com elas por mais de 5 horas por dia.
Esse relato é comum na sala de moldagem. Quando o encaixe machuca, a pessoa desiste da prótese e volta para o que funciona, mesmo que canse mais. Dor no encaixe tem causa, e na maioria das vezes precisa de avaliação do coto e de ajuste.
O que ela mudou antes do novo encaixe
Depois do casamento, Marcela decidiu procurar um jeito de usar a prótese. Primeiro cuidou da saúde e, em cerca de um ano, perdeu 27 kg.
Ela explicou que o peso também atrapalhava, porque era mais carga sobre a perna. O volume do corpo e do coto influencia diretamente o encaixe, e por isso mudanças grandes de peso pedem revisão da prótese.
Vídeo: Depoimento de Marcela Mantovani - Amputada Transfemoral
Como foi o processo na Conforpés
Marcela conheceu a paratleta Camille Rodrigues, que a levou até a Conforpés. Lá ela foi recebida por Nelson Nolé, fundador da empresa, e começaram os preparativos para a nova prótese. "A ajuda dele foi fundamental para meu processo de adaptação", disse.
O caminho teve etapas claras:
- Cirurgia no coto: o primeiro passo foi uma cirurgia para retirar o excesso de pele, que aumentava a dor durante a adaptação.
- Molde: Marcela passou 3 dias em Sorocaba, na sede da Conforpés, preparando o molde do encaixe.
- Prova e ajustes: a equipe fez os ajustes necessários até chegar a um encaixe confortável para ela.
Com esse encaixe, ela contou que passou a usar a prótese por até 12 horas seguidas. Esse foi o resultado no caso dela. O tempo de uso de cada pessoa depende do coto, da condição clínica e da adaptação.
O salto alto e as mãos dadas
Marcela voltou a fazer algo de que gostava: usar salto alto, com uma prótese para salto. Ela foi ao shopping com a filha e contou que foi emocionante usar salto de novo depois de 13 anos. Disse que aquele salto valia mais para ela do que os mil que tinha usado antes da amputação, pela importância que hoje dá às pequenas coisas.
Mas o que ela destacou como principal foi outra cena: pela primeira vez, conseguiu andar de mãos dadas com Luiza. "Tudo o que eu faço é por ela", disse.
Para saber mais sobre componentes como a prótese para salto, leia como funcionam as próteses modernas. Se a sua prótese dói ou você deixou de usá-la, agende uma avaliação para o protesista olhar o encaixe.
Perguntas frequentes
Qual é o nível de amputação da Marcela?
Transfemoral, que é a amputação acima do joelho, na altura da coxa.
Por que ela não usava a prótese antes?
Porque as próteses que ela tinha causavam muita dor, e ela não conseguia usá-las por mais de 5 horas por dia. Por isso preferiu as muletas durante 12 anos.
O que foi feito antes do novo encaixe?
Ela perdeu 27 kg em cerca de um ano e fez uma cirurgia para retirar o excesso de pele do coto. Depois passou 3 dias em Sorocaba preparando o molde.
Todo mundo vai usar a prótese por 12 horas seguidas?
Não. Esse foi o relato da Marcela. O tempo de uso depende do coto, da condição clínica e da adaptação de cada pessoa.



