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Prescrição e laudos para prótese

O que o documento médico precisa conter para SUS, plano de saúde, INSS e via judicial, com checklist e modelo de campos.

Ilustração de uma médica preenchendo o laudo enquanto o protesista mede o paciente, com uma lista de verificação

Resumo técnico: Um laudo de prótese bem aceito identifica o diagnóstico pela CID-10 e pelo nome, o nível e a lateralidade da amputação, a data, as comorbidades e o potencial funcional. A prescrição descreve características técnicas, sem exigir marca ou fornecedor, e justifica cada componente com base clínica. A mesma estrutura atende ao SUS, ao plano de saúde, ao INSS e ao processo judicial, com ajustes de cada via.

Por que o laudo decide o pedido

Nas quatro vias, quem analisa o pedido não examina o paciente. A decisão depende do que está escrito. Os enunciados do Conselho Nacional de Justiça sobre direito da saúde listam o que a petição deve trazer: doença com CID, histórico médico, tratamento prescrito, contraindicação de outras terapias incorporadas, duração do tratamento e o registro do pedido administrativo com a negativa, se houver [1]. Nas decisões sobre órteses e próteses, o juiz deve exigir a descrição técnica, e não a marca ou o fornecedor [1].

O Conselho Federal de Medicina segue a mesma linha para materiais implantáveis: cabe ao médico determinar as características do material, justificar clinicamente a indicação e não exigir fornecedor ou marca exclusivos [2]. A prótese externa não é implantável, mas a lógica da descrição técnica é a que os enunciados do CNJ aplicam às próteses em geral [1].

Checklist do laudo médico

Nível funcional K

A classificação K vem da política de cobertura do Medicare (CMS). Não é norma brasileira, mas é a linguagem que fabricantes e protesistas usam para indicar componentes de membro inferior [4].

NívelDefinição resumida (CMS L33787)
K0Sem capacidade ou potencial de deambular ou transferir-se com segurança; a prótese não melhora a mobilidade
K1Capacidade ou potencial para transferências ou marcha em superfície plana, em cadência fixa
K2Marcha com capacidade de vencer barreiras baixas, como meio-fio, escada e piso irregular
K3Marcha com cadência variável; deambulador comunitário que vence a maior parte das barreiras
K4Marcha protética além do básico, com alto impacto, esforço ou gasto de energia

A política exige que o prontuário registre a capacidade funcional atual e a esperada, com base no histórico (inclusive uso prévio de prótese), na condição do coto, nas outras condições clínicas e no desejo de deambular [4]. Para alguns joelhos, pede ainda a justificativa da escolha no contexto da saúde geral do paciente [4]. Os instrumentos de avaliação estão na página de classificação K e prescrição.

Checklist da prescrição

Modelo de campos

O modelo abaixo organiza campos. Não contém texto clínico pronto: cada campo é preenchido pelo médico assistente a partir do exame.

CampoPreenchimento
Diagnóstico (nome)[condição]
CID-10[código]
Etiologia[vascular / diabetes / trauma / tumor / congênita]
Nível e lateralidade[nível] / [D, E ou bilateral]
Data da amputação[dd/mm/aaaa]
Condição do coto[forma, cicatriz, pele, neuroma, dor]
Comorbidades[lista]
Nível funcional atual e potencial[K atual] / [K potencial] e a razão da diferença
Instrumento de avaliação usado[nome e resultado]
Objetivo funcional[descrição]
Prótese indicada[tipo e componentes por características]
Justificativa por componente[relação com coto, nível K e objetivo]
Alternativas disponíveis na via e por que não atendem[quando aplicável]
Médico[nome, CRM, assinatura, data]

CID-10 mais usados

A Diretriz do Ministério da Saúde lista os códigos de amputação [3]. Os mais frequentes no laudo de prótese:

CódigoDescrição
Z89.4Ausência adquirida de pé e tornozelo
Z89.5Ausência adquirida da perna ao nível ou abaixo do joelho
Z89.6Ausência adquirida da perna acima do joelho
Z89.7Ausência adquirida de ambos os membros inferiores
Z89.1 / Z89.2Ausência adquirida de mão e punho / de braço acima do punho
S88.1 / S78.1Amputação traumática entre joelho e tornozelo / entre joelho e quadril
T87.3Neuroma de coto da amputação

O que muda em cada via

ViaBasePonto de atenção no documento
SUSA prótese é OPM da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM (SIGTAP) [5]. A oficina ortopédica dispensa, confecciona, adapta e mantém as próteses, vinculada a estabelecimento de saúde habilitado [6]O pedido corre pela regulação local. Usar o formulário exigido pelo serviço de referência e descrever o item compatível com a tabela
Plano de saúdeA Lei 9.656/1998 permite excluir próteses não ligadas ao ato cirúrgico, e a ANS cita as próteses de substituição de membros como exemplo [7]Verificar o contrato. Guardar a negativa por escrito, que o CNJ lista entre os documentos da ação [1]
INSSA reabilitação profissional compreende o fornecimento de prótese e sua reparação ou substituição quando o uso atenuar a perda funcional (Lei 8.213/1991, art. 89) [8]Relacionar a prótese à capacidade de trabalho e ao objetivo profissional
JudicialEnunciados do CNJ [1]CID e nome da doença, histórico, alternativas incorporadas e por que não servem, descrição técnica sem marca, evidência científica. O médico pode ser chamado a esclarecer a prescrição e declarar conflito de interesses [1]

Para o paciente, as páginas de direitos explicam cada via: SUS, plano de saúde e INSS.

Erros que costumam atrasar o pedido

Na Conforpés

A Conforpés faz a avaliação protética do paciente e emite o orçamento e o laudo técnico do protesista que o processo pedir, com o nível da amputação, a prescrição e os componentes. Esse documento complementa o laudo médico e não o substitui. O molde, o encaixe de prova e os ajustes são feitos no laboratório próprio, e a fisioterapia e a terapia ocupacional ficam na sede de Sorocaba.

O profissional pode encaminhar o paciente para avaliação antes de emitir a prescrição final. Veja como encaminhar.

Perguntas frequentes

Posso indicar a marca do componente na prescrição?

O CNJ orienta o juiz a exigir a descrição técnica, e não a marca ou o fornecedor [1]. A resolução do CFM para implantáveis veda exigir marca exclusiva e pede justificativa quando há um único fabricante [2].

O nível K é aceito no Brasil?

Não é norma brasileira. É uma classificação do Medicare [4], usada como linguagem técnica para relacionar potencial funcional e componentes. O laudo deve descrever também a função em termos concretos.

O laudo do protesista substitui o laudo médico?

Não. O laudo técnico descreve a prótese e os componentes. O diagnóstico, a indicação e a justificativa clínica cabem ao médico assistente [2].

O plano de saúde é obrigado a cobrir a prótese de membro?

A lei permite excluir próteses não ligadas ao ato cirúrgico, e a ANS cita a prótese de substituição de membro como exemplo [7]. A cobertura depende do contrato e, em disputa, do Judiciário.

O que o INSS fornece?

Na reabilitação profissional, o INSS fornece, repara e substitui prótese quando ela atenua a perda funcional [8]. O acesso depende da inclusão do segurado no programa.

Referências

  1. Conselho Nacional de Justiça. Enunciados sobre Direito da Saúde, atualizados na VIII Jornada, junho de 2026. Enunciados 12, 28, 29, 32, 58, 59 e 67.
  2. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM 2.318/2022, que disciplina a prescrição de materiais implantáveis, órteses e próteses e revogou a Resolução 1.956/2010.
  3. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013.
  4. CMS. Local Coverage Determination L33787: Lower Limb Prostheses.
  5. Ministério da Saúde. SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS.
  6. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS 793/2012, Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, art. 15.
  7. Agência Nacional de Saúde Suplementar. O que o seu plano de saúde deve cobrir.
  8. Brasil. Lei 8.213/1991, arts. 89 e 90.

Material de apoio técnico para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico nem os protocolos da instituição. Atualizado em 28/09/2026.

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