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Amputação bilateral: quando os dois membros foram amputados

Equilíbrio, energia, cadeira de rodas e próteses de treino: o que muda quando não há um lado sem amputação.

Paciente com prótese nas duas pernas sentado no sofá da clínica da Conforpés

Resposta curta: Amputação bilateral é quando os dois membros foram amputados, as duas pernas, os dois braços ou uma combinação deles. A grande diferença é que não existe um lado sem amputação para servir de apoio. Por isso a reabilitação cuida mais do equilíbrio e do gasto de energia, e às vezes começa com próteses de treino mais curtas.

O que é

Bilateral quer dizer "dos dois lados". A amputação pode ter sido no mesmo nível dos dois lados, por exemplo as duas pernas abaixo do joelho, ou em níveis diferentes, como uma perna abaixo e outra acima do joelho.

A Classificação Internacional de Doenças, listada nas Diretrizes do Ministério da Saúde, tem códigos próprios para isso: ambos os pés, um pé e a outra perna, ambas as pernas, ambas as mãos, ambos os braços e combinações de membros superiores e inferiores. Não é um caso à parte: é uma situação prevista, que tem caminho de reabilitação.

Por que acontece

Pelas Diretrizes do Ministério da Saúde, as amputações de membro inferior vêm principalmente de doença vascular periférica e diabetes. O trauma, como acidente de trânsito, é a segunda maior causa.

Quando a causa é vascular ou o diabetes, a doença atinge as duas pernas. Por isso as Diretrizes pedem que o membro do outro lado seja acompanhado de perto depois da primeira amputação, para identificar cedo alterações parecidas com as que levaram à cirurgia.

No trauma, as duas amputações podem acontecer no mesmo dia.

Como ficam os cotos

Cada coto é avaliado sozinho: comprimento, pele, cicatriz, sensibilidade e força. As Diretrizes pedem, para cada um, medida de comprimento, medidas de volume e raio X em duas incidências.

O que muda é o conjunto. Na amputação de um lado só, a perna sem amputação sustenta o corpo enquanto a pessoa aprende a confiar na prótese. Na bilateral, os dois lados dependem de encaixe. Uma ferida pequena num dos cotos atrapalha a marcha inteira, então o cuidado com a pele dos dois precisa ser diário.

Quando a amputação do segundo lado é recente, o primeiro coto já pode estar maduro, com prótese definitiva, enquanto o outro ainda está em cicatrização. O plano de reabilitação precisa conviver com essas duas fases.

O que esperar, fase a fase

  1. Cirurgia e internação. As mobilizações e o posicionamento no leito começam cedo, como em qualquer amputação. O fortalecimento dos braços ganha ainda mais peso, porque eles fazem as transferências da cama para a cadeira.
  2. Cicatrização e enfaixamento. O enfaixamento compressivo, ou a malha compressiva, é feito nos dois cotos, com mais pressão na ponta e menos em direção ao corpo.
  3. Preparo e cadeira de rodas. Na bilateral de membros inferiores, a cadeira de rodas costuma ser o meio principal de deslocamento por um bom tempo. As Diretrizes pedem cadeira ajustada ao corpo e, para amputação transtibial ou mais baixa, apoio que mantenha o joelho esticado.
  4. Próteses de treino. Para quem tem as duas pernas amputadas, a Amputee Coalition descreve as próteses encurtadas, chamadas em inglês de stubbies: próteses mais baixas, com base de balanço, que deixam o centro de gravidade perto do chão e dão mais equilíbrio no começo.
  5. Treino de marcha. Começa nas barras paralelas e passa para andador e muletas ou bengalas, depois rampas, escadas e piso irregular. Se as próteses de treino foram usadas, a altura aumenta aos poucos.
  6. Próteses definitivas. Entram quando os cotos estabilizam e o treino mostra o que a pessoa consegue fazer com segurança. Não há prazo fixo.

Gasto de energia e equilíbrio

Andar com duas próteses exige mais do coração e do pulmão do que andar com uma. A Amputee Coalition cita que as próteses encurtadas podem reduzir a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio de 7% a 23% e aumentar a velocidade da marcha em até 25%, em comparação com próteses convencionais. Por isso algumas pessoas continuam usando as próteses curtas em casa mesmo depois de ter as definitivas.

A Ottobock, fabricante de componentes, lembra que a amputação bilateral acima do joelho pede treino suficiente para ganhar a musculatura necessária e trabalho próximo entre protesista e fisioterapeuta. O condicionamento físico conta tanto quanto o componente.

Próteses para amputação bilateral

Cada lado recebe a prótese do seu nível. Se as duas amputações são abaixo do joelho, veja o guia de prótese transtibial. Se uma ou as duas são acima do joelho, veja prótese transfemoral e o catálogo de joelhos protéticos e pés protéticos.

Na bilateral acima do joelho, a escolha do joelho pesa muito na segurança. A decisão depende do nível, do estado dos cotos, do condicionamento e da rotina de cada um, e sai da avaliação. Nos membros superiores, veja prótese de braço e mãos protéticas. O catálogo completo está em componentes.

Reabilitação e dia a dia

Em casa, a adaptação costuma vir antes da prótese: cama na altura certa, barras no banheiro, cadeira de banho, caminho livre para a cadeira de rodas. A terapia ocupacional ajuda a organizar isso e a treinar vestir, tomar banho e cozinhar.

Na amputação dos dois membros superiores, a terapia ocupacional é central: comer, se vestir e usar o celular podem ser treinados com prótese e com adaptações, conforme o caso. As Diretrizes pedem treino de preensão, de peso dos objetos e das atividades de vida diária.

Conversar com outra pessoa que passou pela mesma situação ajuda. As Diretrizes do Ministério da Saúde recomendam esse contato sempre que possível.

Perguntas frequentes

Quem tem as duas pernas amputadas pode voltar a andar com prótese?

Depende do nível das amputações, dos cotos, do coração e do condicionamento. Quem define o objetivo realista é a equipe, depois da avaliação e do treino.

O que são as próteses encurtadas?

São próteses de treino mais baixas, usadas por quem tem as duas pernas amputadas. Elas deixam o centro de gravidade mais perto do chão e dão mais equilíbrio no começo.

Por que cansa mais andar com duas próteses?

Porque não existe uma perna sem amputação para fazer parte do trabalho. O corpo gasta mais energia para se equilibrar e avançar, e isso pede treino de condicionamento.

Vou precisar de cadeira de rodas?

Na bilateral de membros inferiores, a cadeira de rodas costuma ser usada por um bom tempo, e muita gente continua usando em algumas situações. Ela deve ser ajustada ao corpo.

Depois de amputar uma perna, a outra corre risco?

Quando a causa é diabetes ou doença vascular, sim, e por isso o outro pé precisa de acompanhamento constante. Cuide dele todos os dias e leve qualquer ferida ao médico.

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Fontes

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do médico e da equipe de reabilitação. Atualizado em 28/09/2026.

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