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Txirótsi: duas próteses transtibiais para voltar à caça

Indígena Ashaninka com prótese de perna sentado ao lado de uma entrevistadora na loja da Conforpés

Resposta curta: Marinaldo Txirótsi, do povo Ashaninka, no Acre, foi picado por uma jararaca-boca-podre aos 9 anos e teve a perna direita amputada abaixo do joelho. Em 2017, a Conforpés doou a ele duas próteses transtibiais feitas para o ambiente da floresta: uma para o uso social e outra para atividades intensas, como a caça.

Este texto é um registro de 2017. Ele conta o que aconteceu naquele ano, com os fatos que publicamos na época.

Quem é Txirótsi

Marinaldo Txirótsi vive na comunidade Ashaninka Apiwyxa, no Acre. Na aldeia, a caça é uma das atividades principais de sustento.

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Aos 9 anos, ele foi picado por uma jararaca-boca-podre. O veneno comprometeu a perna direita. Anos depois, em 2015, veio a amputação transtibial, ou seja, abaixo do joelho.

Sem a perna, ele deixou de caçar e de contribuir com a alimentação da família. Ele também contou ter enfrentado preconceito e afastamento depois da amputação.

Como a história chegou à Conforpés

O fotógrafo Sebastião Salgado conheceu Marinaldo por meio de um trabalho com a organização House of Indians. Ele levou a história até Nelson Nolé, que fundou a Conforpés em 1968.

A partir desse contato, a Conforpés decidiu doar as próteses. O trabalho foi o mesmo de qualquer paciente: entender o coto, a rotina e o ambiente onde a prótese ia ser usada.

Por que duas próteses, e não uma

A rotina de Txirótsi pedia coisas diferentes em momentos diferentes. Por isso foram feitas duas próteses transtibiais sob medida:

  • Uma para uso social: para o dia a dia na aldeia, com a família.
  • Uma para atividades intensas: pensada para a caça, com molas que ajudam na subida de morros e componentes mecânicos resistentes à água.

Essa separação é comum quando a pessoa tem uma atividade muito diferente da rotina. Uma prótese feita para caminhar em casa não precisa das mesmas características de uma prótese usada em terreno úmido e acidentado.

O que muda quando a prótese é feita para o ambiente

Na floresta, o chão é irregular, há subidas, barro e água. O pé protético, o joelho natural e o encaixe trabalham juntos para dar estabilidade nesse terreno. Na amputação transtibial, a pessoa conserva o próprio joelho, o que ajuda na marcha.

O encaixe é a parte que abraça o coto. Se ele não estiver bem ajustado, a pele sofre com atrito e a pessoa não consegue usar a prótese por muitas horas. Por isso, a prova e o ajuste vêm antes de qualquer componente.

Se você quer entender como é essa prótese, leia o nosso guia da prótese transtibial e o guia geral da prótese de perna.

O que aconteceu depois da doação

Com as próteses, Txirótsi voltou a participar do dia a dia da família e da aldeia. É o registro que fizemos em 2017.

Os Ashaninka são conhecidos por defender o próprio território há séculos. Do lado brasileiro da Amazônia, eles enfrentam a exploração ilegal de madeira desde a década de 1980, e combinam costumes tradicionais com práticas como a sustentabilidade ambiental.

O que essa história mostra sobre o processo

A prótese certa depende de onde e como a pessoa vive. Não existe um modelo único para cada nível de amputação.

Na Conforpés, o caminho começa com uma avaliação gratuita. Depois vêm a prescrição, o molde, o encaixe provisório, o treino com fisioterapia e terapia ocupacional, o encaixe definitivo e o acompanhamento. O tempo de cada etapa depende do coto, da idade e da condição clínica.

Para entender melhor a amputação abaixo do joelho, veja também o post O que é amputação transtibial.

Perguntas frequentes

Quem é Marinaldo Txirótsi?

É um homem do povo Ashaninka, no Acre, que teve a perna direita amputada abaixo do joelho depois de uma picada de cobra na infância. Em 2017 ele recebeu duas próteses doadas pela Conforpés.

Por que ele recebeu duas próteses?

Uma foi feita para o uso social e a outra para atividades intensas, como a caça. Cada uma tinha componentes pensados para a situação de uso.

Uma prótese transtibial pode ser usada na água?

Depende dos componentes. No caso de Txirótsi, foram usados componentes mecânicos resistentes à água. Quem define isso é o protesista, na avaliação.

Como começo o processo de uma prótese na Conforpés?

Pela avaliação gratuita, em Sorocaba ou em São Paulo. Você pode agendar pela página de contato.

Agende uma avaliação

Se você ou alguém da sua família tem uma amputação e quer saber qual prótese faz sentido para a rotina, agende uma avaliação. A conversa começa pelo que você precisa fazer no dia a dia.

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