
Resposta curta: Letícia Fabri teve os dois pés amputados por necrose causada por uma pneumonia bacteriana, depois de internações em UTI. As próteses vieram por meio de uma campanha de arrecadação de lacres que chegou ao São Paulo Futebol Clube e à Conforpés. Ela conta que a adaptação foi boa e que hoje dá apoio a pessoas recém-amputadas nas redes sociais.
Este texto é um registro de fevereiro de 2021, na unidade da Conforpés em São Paulo. A idade e a rotina citadas são as daquela época.
Quem é Letícia
"Sinceramente é como se a minha vida toda eu já esperasse por isso. Eu amo usar prótese, sempre gostei de ser diferente da maioria. E acho incrível ter essa possibilidade de voltar a andar."

É assim que Letícia Fabri, então com 26 anos, descreve o uso da prótese. A história começa aos 7 anos, quando ela recebeu o diagnóstico de plaquetopenia trombocitopênica idiopática, uma doença rara e autoimune em que o nível de plaquetas, as células que ajudam a evitar sangramentos, fica baixo.
As internações
Em 2017, Letícia passou mal no trabalho. Em casa, piorou e precisou de ambulância. No hospital, teve três convulsões e uma parada cardíaca no mesmo dia. Foi intubada, levada à UTI e diagnosticada com meningite bacteriana.

Um tempo depois, o quadro se repetiu. Ela passou mal de novo no trabalho, chegou ao hospital com a saturação muito baixa e voltou para a UTI intubada. Dessa vez, o diagnóstico foi pneumonia bacteriana.
Na internação, ela ficou em coma induzido. A adrenalina aplicada várias vezes afetou boa parte da audição, e hoje ela usa aparelho auditivo. Uma febre alta afetou a visão. Depois de uma cirurgia, ela voltou a enxergar, mas a visão central ficou comprometida e ela usa óculos.
A amputação
A mesma pneumonia causou necrose nos pés. Os médicos tentaram outras saídas, mas a amputação dos dois pés foi a melhor opção.

A reação de Letícia foi: "Eu quero uma prótese brilhante." A referência era a influenciadora Paola Antonini, que também é amputada e usava uma prótese assim.
A volta para casa
Ela conta que a ficha só caiu quando saiu do hospital. Sempre muito agitada, passou a precisar de ajuda para tudo, e ver os amigos saindo tornava esses dias mais difíceis.

Além da adaptação ao corpo, veio a reação das pessoas. "Eu sabia que ia perder muita gente, que essas pessoas iriam se afastar de mim pelo que aconteceu, e de fato se afastaram. Gente que era importante pra mim acabou saindo por um tempo da minha vida, mas agora voltaram."
Como as próteses chegaram
- A corrente começou com uma vaquinha on-line para arrecadar o valor das próteses. Campanhas assim podem levar meses, às vezes anos.
- O Projeto Abraço e parceiros conheceram a história e criaram a campanha "Lacres do Abraço", que ganhou grande alcance.
- O São Paulo Futebol Clube, time de Letícia, levou a campanha para dentro do clube.
- Com a campanha, Letícia chegou à Conforpés e recebeu as próteses.
Se você procura formas de pagar uma prótese, veja o post como usar o FGTS para comprar prótese. Na Conforpés, também há financiamento pelo Crédito Acessibilidade, do Banco do Brasil, e pelo Crédito PCD, da Caixa.
A adaptação
"No início é um pouco estranho, mas a vontade de voltar a andar é maior e logo se acostuma com os pés novos", contou.
O tempo de adaptação varia de pessoa para pessoa. Depende do nível de amputação, do coto, da condição clínica e do treino. Para amputações no pé, veja o guia da prótese de pé.
O que ela faz hoje
Na época deste registro, Letícia trabalhava como influenciadora digital. Quando é procurada nas redes sociais, ela conversa com pessoas recém-amputadas sobre amputação e também sobre depressão.
Perguntas frequentes
Por que Letícia Fabri teve os pés amputados?
Por necrose causada por uma pneumonia bacteriana, durante uma internação em UTI.
Como ela conseguiu as próteses?
Com uma vaquinha on-line e a campanha "Lacres do Abraço", que chegou ao São Paulo Futebol Clube e à Conforpés.
Quanto tempo leva para se adaptar a uma prótese de pé?
Depende de cada pessoa: do coto, da condição clínica e do treino. Não há um prazo igual para todos.
Onde fica a unidade da Conforpés em São Paulo?
No Ipiranga, na R. Vasconcelos Drumond, 104.
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