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Prótese infantil e inclusão: o que a família deve saber

Criança com prótese de perna brincando com uma bola de pilates laranja ao lado de um homem

Resposta curta: A prótese infantil ajuda a criança a fazer o que as outras crianças fazem: correr, brincar e participar da escola. Ela é diferente da prótese de adulto porque a criança cresce, e os componentes precisam ser trocados com frequência. O caminho funciona melhor com uma equipe que inclui protesista, fisioterapeuta e acompanhamento psicológico.

Quando a criança nasce com uma malformação ou passa por uma amputação cedo, a pergunta da família costuma ser a mesma: ela vai conseguir brincar com os amigos? Este texto explica o que muda na prótese infantil e o que a experiência da nossa equipe mostra sobre inclusão.

Por que a prótese infantil é diferente da de adulto

A diferença principal é o crescimento. Uma criança muda de tamanho em poucos meses, e o encaixe e os componentes acompanham essa mudança. Por isso a manutenção e a troca acontecem com mais frequência do que na prótese de um adulto.

O fisioterapeuta Raphael Sancinetti, da Conforpés, explicou a diferença entre membro superior e inferior nesta frase:

"Existe diferença funcional entre as próteses ortopédicas dos membros superiores e inferiores. Investir em uma prótese muito cara, para um período curto de uso não compensa. As crianças crescem rápido demais, e os componentes precisam ser trocados periodicamente. Já nos membros inferiores, as próteses precisam dar mobilidade aos pequenos."

O que isso significa na prática

  • Membro inferior: a prioridade é a mobilidade, para a criança ficar de pé, andar e correr.
  • Membro superior: a escolha pesa o tempo de uso, porque a peça vai ficar pequena rápido.
  • Nos dois casos: o encaixe é revisto conforme a criança cresce.

Veja os detalhes de cada fase no guia de prótese infantil.

A prótese pode ser personalizada

A prótese infantil pode receber estampas. Há crianças que escolhem personagens como Barbie, Hello Kitty, Homem-Aranha e Batman, conforme o gosto de cada uma.

A estampa parece detalhe, mas ajuda a criança a aceitar a prótese como coisa dela. Muitas passam a mostrar a perna para os colegas em vez de escondê-la.

Por que tantas crianças usam prótese cedo

Boa parte dos casos infantis vem de malformação congênita, como a hemimelia fibular. Em alguns desses casos, a equipe médica indica a amputação ainda nos primeiros anos de vida, para que a criança possa usar uma prótese e ganhar mobilidade.

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A pequena Maria Clara brincando com seu Totó, o nome que deu à sua prótese ortopédica.
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Maria Clara brincando com outras crianças, mostrando que não há limites para superação de obstáculos.

Essa é uma decisão da família com o médico. Leia mais sobre o tema em o que é malformação congênita.

Dois casos que acompanhamos

  • Camille Rodrigues: tem desarticulação de joelho. Os pais optaram pela amputação quando ela tinha 4 anos. Mais tarde ela se tornou recordista na natação paralímpica.
  • Maria Clara: passou por amputação transtibial da perna esquerda aos 2 anos. A mãe conta que se emociona ao ver a filha correndo pela casa e sendo aceita pelos colegas na escola.

O papel da equipe na inclusão

A prótese sozinha não resolve a inclusão. A criança precisa entender a própria condição, e isso pede uma equipe com fisioterapeuta, acompanhamento psicológico e outros profissionais.

"O honesto com a criança é fazê-la encarar a realidade. Por isso, é necessária uma equipe com fisioterapeutas, acompanhamento psicológico e todo um leque de profissionais capacitados, para que ela encare a amputação e perceba que, mesmo com esse obstáculo, ela pode levar uma vida normal."

Sancinetti também defende que o foco esteja na função, e não em imitar o membro:

"A melhor ferramenta de inclusão social infantil, pela minha experiência clínica, é proporcionar condições para que o paciente consiga exercer todas as atividades do dia a dia da forma mais normal possível. É muito mais fácil conscientizar a criança sobre sua amputação, do que construir uma prótese ortopédica que seja muito parecida com o membro perdido e, no futuro, ela acabe se frustrando ao perceber que em sua prótese não cresce pelo."

Como começar

  1. Converse com o médico que acompanha a criança sobre a indicação de prótese.
  2. Agende a avaliação gratuita na Conforpés. O protesista e o fisioterapeuta examinam a criança e explicam as opções.
  3. Planeje o acompanhamento: a prótese infantil exige revisões periódicas por causa do crescimento.

Para entender os níveis de amputação de perna, veja também o guia de prótese de perna. Para marcar a avaliação, fale com a gente em contato.

Perguntas frequentes

Por que a prótese infantil precisa ser trocada com frequência?

Porque a criança cresce, e o encaixe e os componentes deixam de servir. A equipe revisa a prótese conforme o crescimento.

Dá para personalizar a prótese da criança?

Sim. É possível estampar a prótese com personagens ou desenhos que a criança escolher.

A prótese deve imitar a perna ou o braço?

Na visão da nossa equipe, a prioridade é a função no dia a dia. Uma prótese que só imita o membro pode frustrar a criança mais tarde.

Além da prótese, que acompanhamento a criança precisa?

Fisioterapia, acompanhamento psicológico e o apoio da família. A inclusão depende desse conjunto.

Fontes

Este texto se baseia na experiência clínica da equipe da Conforpés e nos relatos das famílias citadas. Não traz dado estatístico externo.

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