
Resposta curta: O encaixe é a parte da prótese que recebe o coto. Ele é feito sob medida, a partir do molde do coto, e o formato muda conforme o nível de amputação: quadril, coxa, joelho ou abaixo do joelho. Quem escolhe o tipo é o protesista, junto com a equipe de reabilitação, depois da avaliação.
O que é o encaixe da prótese
Toda prótese ortopédica tem um encaixe, seja de membro superior ou de membro inferior. Ele é a peça que envolve o coto e transmite o peso do corpo para o resto da prótese: joelho, tubo e pé.

É também por onde o processo começa. Antes de escolher joelho ou pé, o protesista tira o molde do coto e faz o encaixe. Se ele não estiver do tamanho exato do coto, a marcha sofre, a pele reclama e o uso diário fica desconfortável.
Por isso o encaixe costuma ser a peça que mais passa por prova e ajuste. O coto muda de volume nos primeiros meses, e o encaixe precisa acompanhar essas mudanças.
Por que o encaixe decide o conforto da prótese
Muita gente chega à avaliação pensando primeiro no joelho ou no pé. Na prática, um componente caro montado num encaixe mal ajustado não funciona bem. O encaixe é onde o corpo e a prótese se encontram.
Um bom encaixe faz três coisas:
- distribui a pressão nas áreas do coto que aguentam carga;
- alivia as áreas sensíveis, como pontas ósseas e cicatriz;
- mantém a prótese presa ao corpo durante a marcha, sem folga e sem aperto.
Além do encaixe, pesam no tempo de adaptação a fisioterapia, o acompanhamento psicológico e a durabilidade dos materiais escolhidos. Nenhum desses fatores age sozinho.
Tipos de encaixe por nível de amputação
Os modelos abaixo são os que citamos no texto original deste post, de 2018. Eles mostram como o desenho do encaixe muda de um nível para outro.
Desarticulação de quadril
- Encaixe externo em resina acrílica, que dá a estrutura rígida.
- Encaixe interno macio, com forro de EVA ou de silicone, que fica em contato com o corpo.
Para entender a prótese completa desse nível, veja o guia de prótese para desarticulação de quadril.
Amputação transfemoral (acima do joelho)
- Encaixe CAT-CAM: mantém o fêmur numa posição mais próxima da natural. Com isso, a marcha tende a ficar mais harmoniosa e o controle muscular e a estabilidade do corpo aumentam.
- Encaixe quadrilátero: pode ser usado em diferentes casos, principalmente quando a musculatura da coxa está flácida ou a amputação é no terço proximal.
O passo a passo da prótese acima do joelho está no guia de prótese transfemural.
Desarticulação de joelho
- Cartucho em polifórmio com suspensão supracondilar, que usa o formato dos côndilos do fêmur para prender a prótese.
Amputação transtibial (abaixo do joelho)
- PTB (Patelar Tendon Bearing): um dos modelos mais antigos. Usa uma correia acima da patela como suspensão, o que gera pressão na região. É indicado para cotos de nível médio.
- PTS (Prothese Tibiale Supracondylienne): indicado para amputação no terço proximal, quando há instabilidade no joelho.
- KBM (Kondylen Bettung Münster): era o mais usado desse grupo. Não é recomendado para cotos muito curtos, porque as bordas laterais são altas.
A prótese abaixo do joelho, do molde à marcha, está explicada no guia de prótese transtibial.
Resumo dos encaixes citados
| Nível | Encaixe | Característica principal |
|---|---|---|
| Desarticulação de quadril | Externo em resina acrílica e interno macio | Estrutura rígida por fora, forro de EVA ou silicone por dentro |
| Transfemoral | CAT-CAM | Fêmur em posição mais natural, mais controle muscular |
| Transfemoral | Quadrilátero | Útil com musculatura flácida ou coto no terço proximal |
| Desarticulação de joelho | Cartucho em polifórmio | Suspensão supracondilar |
| Transtibial | PTB | Correia suprapatelar, coto de nível médio |
| Transtibial | PTS | Coto no terço proximal com instabilidade no joelho |
| Transtibial | KBM | Bordas laterais altas, não serve para coto muito curto |
Quem escolhe o tipo de encaixe
A escolha é técnica e deve ser feita por profissionais da área. O protesista avalia o comprimento e o formato do coto, a musculatura, a pele, a cicatriz e o nível de atividade de cada pessoa. A fisioterapia ajuda a mostrar como o corpo está respondendo.

O critério que vem primeiro é o conforto. Um encaixe confortável é usado o dia inteiro; um encaixe que machuca acaba no canto do quarto.
Na Conforpés, esse caminho acontece sob o mesmo teto: avaliação, molde, encaixe de prova, ajuste e reabilitação. Se quiser entender melhor as etapas depois da amputação, leia também por que a fisioterapia é importante para quem é amputado.
Como é o caminho até o encaixe definitivo
- Avaliação: o protesista examina o coto e conversa sobre a rotina da pessoa.
- Molde: é tirado o molde do coto, base de todo o encaixe.
- Encaixe de prova: uma versão provisória é testada, para marcar pontos de pressão e de folga.
- Ajuste: o encaixe é corrigido quantas vezes for preciso durante a reabilitação.
- Encaixe definitivo: feito quando o volume do coto estabiliza.
O tempo desse caminho varia de pessoa para pessoa. Depende do coto, da idade, da condição clínica e da resposta à fisioterapia.
Perguntas frequentes
O encaixe da prótese precisa ser trocado?
Pode precisar. O volume do coto muda, principalmente no primeiro ano, e o encaixe deixa de assentar bem. O protesista avalia se basta um ajuste ou se é hora de um novo encaixe.
Qual é o melhor encaixe para amputação abaixo do joelho?
Não existe um melhor para todos. O PTB, o PTS e o KBM atendem cotos diferentes, e a escolha depende do comprimento do coto e da estabilidade do joelho.
O encaixe pode machucar o coto?
Um encaixe mal ajustado pode causar dor, vermelhidão e feridas. Se isso acontecer, o certo é voltar ao protesista para ajuste, e não insistir no uso.
Posso escolher o tipo de encaixe sozinho?
Não é recomendado. A escolha depende de exame do coto e de critério técnico, e deve ser feita pelo protesista com a equipe de reabilitação.
Quer saber qual encaixe faz sentido para o seu coto? Agende uma avaliação com a equipe da Conforpés.


