Início › Blog › Vida com prótese
Amputação e namoro: como lidar com a insegurança

Resposta curta: Sim, pessoas amputadas namoram, casam e constroem relacionamentos como qualquer outra pessoa. O que mais ajuda, segundo pacientes da Conforpés que responderam a essa pergunta, é falar da amputação com naturalidade, lidar com a curiosidade do outro sem vergonha e cuidar da autoestima, com apoio profissional quando for preciso.
Este post foi escrito em 2018. O tempo de relacionamento citado é o daquele ano.
Uma pergunta que ouvimos muito
Todo namoro tem seus problemas: família que se mete, falta de conversa, rotinas que não batem, ciúme, insegurança. A amputação não deveria ser o que decide o rumo de um relacionamento.

Mesmo assim, "vou conseguir namorar depois da amputação?" é uma pergunta que a equipe da Conforpés ouve com frequência. Para responder, conversamos com duas pacientes e com o namorado de uma delas.
Thais e Alyson: falar da amputação desde o começo
Thais Carvalho é paratleta do tiro com arco e tem amputação transtibial, abaixo do joelho. Em 2018, ela namorava Alyson havia 3 anos, e diz que a amputação nunca foi um problema entre os dois.


Quando uma amiga sugeriu que eles saíssem, Thais pediu para ela avisar da amputação antes. No dia, foi de saia, justamente para a perna ficar à vista desde o começo. Ela conta isso com bom humor.
A curiosidade faz parte
Uma das primeiras perguntas de Alyson foi sobre o que tinha acontecido com a perna dela. Thais conta que a conversa foi tranquila: ele tinha curiosidade, mas sempre foi gentil.
Para ela, um relacionamento vai muito além do corpo. É uma afinidade de ideias e de jeito de ser, e a falta de um membro não muda isso.
O que ajuda a lidar com a insegurança
Pelos relatos da Thais, do Alyson e da Maraísa, alguns pontos se repetem:
- Falar da amputação sem vergonha. Explicar as diferenças do corpo e os eventuais limites é um dos primeiros passos.
- Acolher a curiosidade. A pergunta do outro costuma vir de interesse, não de rejeição.
- Aceitar a si mesmo. Thais diz que o primeiro passo é se aceitar como é e continuar fazendo coisas novas.
- Lembrar que todo mundo tem limites. Para ela, a dela é física, e a de outra pessoa pode ser emocional. Nos dois casos, a gente se adapta.
- Dar chance ao outro. Deixar a outra pessoa participar da sua vida e da sua rotina.
O apoio profissional
Cuidar da cabeça depois da amputação não é simples, em qualquer nível de amputação, de braço ou de perna. A psicoterapia ajuda a trabalhar a autoestima e a insegurança. O post sobre inteligência emocional traz mais sobre esse lado.
O outro lado também precisa aprender. Muitas pessoas sem deficiência simplesmente não sabem como agir perto de alguém amputado.
O que o Alyson diz
Para Alyson, você gosta de uma pessoa pelo que ela é e pelo que pensa, não pela quantidade de membros. Ele lembra que braço e perna dá para substituir, mas o coração de ninguém está à venda.
O conselho dele é dar chance ao desconhecido. Na rotina do casal, eles saem, se divertem e assistem filme juntos, como qualquer casal.
O que a Maraísa diz
A halterofilista Maraísa Proença, também paciente da Conforpés, era casada havia 16 anos em 2018. O recado dela é confiar em si mesmo. Uma amputação não torna ninguém inferior nem menos bonito.
E, se alguém fizer você se sentir inferior por causa da amputação, para ela essa pessoa não merece você.
A prótese também entra nessa conversa
Muitas pessoas se sentem mais seguras quando a prótese está bem ajustada e confortável. Outras preferem mostrar a prótese à mostra, com estampa, como conta o post sobre customização de prótese. Para quem tem amputação abaixo do joelho, como a Thais, o guia de prótese transtibial explica como é feito o encaixe.
Se o encaixe incomoda ou você quer conversar sobre a sua prótese, fale com a equipe da Conforpés.
Perguntas frequentes
Pessoa amputada consegue namorar?
Consegue. Pacientes da Conforpés namoram e são casados há anos, e contam que falar da amputação com naturalidade ajuda.
Quando contar da amputação para alguém?
Não existe regra. A Thais preferiu que a pessoa soubesse antes do primeiro encontro.
Como lidar com a curiosidade do parceiro?
Respondendo com calma. A curiosidade costuma vir de interesse, e a conversa aproxima.
Terapia ajuda na insegurança depois da amputação?
Ajuda. A psicoterapia trabalha a autoestima e a forma de lidar com o corpo depois da cirurgia.


