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Reabilitação com prótese

Treino de marcha, desvios e causas, treino do membro superior com a terapia ocupacional e sinais que pedem retorno ao protesista.

Ilustração de uma mulher com prótese acima do joelho em três fases da reabilitação: barras paralelas, escada com bengala e caminhada livre

Resumo técnico: A fase protética ensina a vestir e tirar a prótese, transferir peso, vencer escadas, rampas e obstáculos e, no membro superior, a preensão e as atividades de vida diária [1]. Na análise de marcha, cada desvio pode ter causa protética ou do paciente, e o material do VA resume a regra: analisar a prótese sem ignorar o paciente [2]. Dor persistente, lesão de pele, dificuldade para vestir e mudança de volume indicam retorno ao protesista [3][4].

Membro inferior: fases do treino

As Diretrizes do Ministério da Saúde descrevem a progressão a partir da fase pós-cirúrgica e os conteúdos da fase protética [1]. A diretriz VA/DoD de 2024 sugere um programa individualizado e supervisionado, com exercício e treino de marcha, para melhorar o estado funcional, a capacidade de andar e a qualidade de vida [5].

  1. Vestir e retirar a prótese. Inclui a técnica de calçar o liner e o manejo das meias [1][4].
  2. Transferência de peso para o membro protetizado, em pé e com apoio [1].
  3. Marcha em barras paralelas, com progressão para andador e muletas axilares ou canadenses, conforme a segurança [1].
  4. Atividades funcionais: sentar e levantar, subir e descer escadas e rampas, desviar de obstáculos, andar em terreno irregular [1].
  5. Tempo de uso progressivo, com inspeção da pele. Se houver dúvida de segurança, o uso inicial pode ficar restrito às sessões de terapia [4].

O Ministério da Saúde reforça o treino das atividades de vida diária em qualquer tipo de prótese [1].

Análise de marcha: como investigar o desvio

O material de apoio do VA sobre análise de marcha propõe três passos [2]:

  1. Observar de pelo menos dois pontos: de lado para o plano sagital, de frente ou de costas para o plano frontal.
  2. Identificar o desvio. Na amputação unilateral, a assimetria entre o lado protético e o lado preservado é o principal indicador.
  3. Determinar a causa. Há muitas causas protéticas, mas também amplitude restrita, fraqueza, doenças associadas, medo e hábito antigo.

A análise pressupõe exame físico prévio com amplitude de movimento, teste muscular manual, exame sensitivo e neurológico e inspeção da pele [2].

Desvios comuns: causa do paciente ou da prótese

A tabela resume desvios descritos pelo VA para amputação transtibial e transfemoral [2]. Ela não é exaustiva.

DesvioCausas ligadas ao pacienteCausas ligadas à prótese
Queda da pelve do lado protético no contato inicialFraqueza de abdutores do quadril contralateralPrótese curta; coto reduziu de volume em relação ao encaixe; calcanhar complacente demais
Circundução, elevação do quadril ou salto no pé contralateralDificuldade de fletir o joelho; hábito; aumento de volume do coto que impede assentar no encaixePrótese longa; suspensão insuficiente; coto não assentado no encaixe
Instabilidade do joelho no início do apoio (transtibial)Contratura em flexão do joelho; fraqueza de quadrícepsDorsiflexão excessiva do pé; flexão excessiva do encaixe; alavanca de calcanhar longa; calcanhar duro demais
Joelho estendido demais no apoio (transtibial)Amplitude de flexão insuficiente; compensação de fraqueza de quadríceps; desconforto anterodistal no cotoCalcanhar complacente demais ou quilha rígida demais; flexão insuficiente do encaixe; flexão plantar excessiva do pé
Tempo de apoio reduzido no lado protéticoDor no coto ou em estruturas proximais; pouca confiança; déficit de equilíbrioEncaixe mal adaptado; alinhamento do pé; alavanca de antepé curta
Inclinação lateral do tronco sobre a próteseFraqueza de abdutores; dor distal lateral no coto; contratura em abdução; hábitoAdução insuficiente do encaixe; prótese curta; pé deslocado para fora; parede medial alta
Inclinação anterior do tronco (transfemoral)Contratura em flexão do quadril; dor lombar; compensação de instabilidade do joelhoJoelho em alinhamento instável; mecanismo de controle de apoio insuficiente
Hiperlordose no apoio (transfemoral)Flexores de quadril encurtados; fraqueza de extensores do quadril ou de abdominaisFlexão insuficiente do encaixe; parede posterior que induz anteversão pélvica
Chicote medial ou lateral do calcanhar no balanço (transfemoral)Prótese vestida de forma incorreta; excesso de partes moles; ativação muscular inadequadaRotação externa ou interna excessiva do encaixe; encaixe apertado; suspensão inadequada
Flexão insuficiente do joelho protético no pré-balanço (transfemoral)Falta de confiança ou de treino no padrão que libera o joelho para o balançoJoelho protético estável demais

Quando a causa é do paciente, o VA sugere intervenções como alongamento, fortalecimento em cadeia fechada com a prótese, treino de equilíbrio e reeducação da marcha [2]. Quando a causa é protética, a conduta passa pela avaliação do alinhamento estático, do encaixe e dos ajustes do joelho ou do pé, o que é trabalho do protesista [2].

O mesmo material observa que padrões de hábito podem ser difíceis de desaprender mesmo depois de corrigida a causa principal [2].

Membro superior: treino pré-protético e controle mioelétrico

Antes da prótese

A diretriz VA/DoD para amputação de membro superior descreve a fase pré-protética como preparação do paciente e do coto para o primeiro encaixe e como momento de definir o tipo de prótese mais útil [3]. As intervenções incluem [3]:

A massagem profunda no ponto do sensor muscular (miossítio) é citada como forma de alongar a musculatura desse local [3].

Como funciona o controle mioelétrico

Eletrodos de superfície embutidos no encaixe captam o sinal elétrico do músculo que contrai. O sinal é amplificado e convertido em comando para a articulação motorizada [3]. No controle sequencial, os mesmos sinais comandam várias articulações e o usuário alterna entre modos, por cocontração, contração rápida ou lenta ou outro sinal. No controle simultâneo, entradas adicionais comandam movimentos específicos. Sistemas de reconhecimento de padrão usam vários eletrodos para distinguir padrões de contração [3].

Sítios de eletromiografia não são pré-requisito para componentes motorizados. Existem outras entradas, como sensores de força, transdutores lineares, interruptores e unidades inerciais [3].

Treino com a prótese

Segundo a diretriz VA/DoD, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas conduzem o treino, da operação básica do dispositivo até o uso em tarefas complexas sem necessidade de pensar no movimento [3]. Os conteúdos incluem:

A diretriz orienta envolver o protesista no treino mioelétrico, porque ele pode ajustar o sinal e o controle [3]. Ela também registra que não há evidência suficiente para recomendar um protocolo de treino específico nem uma estratégia de controle, encaixe ou componente sobre outro [3].

Componentes de membro superior no catálogo: mãos protéticas, próteses de dedos e cotovelos.

Quando devolver ao protesista

SinalO que pode indicarFonte
Vermelhidão focal que não some em 15 a 20 minutos após retirar a prótesePressão ou cisalhamento excessivos; rever encaixe, alinhamento e técnica de vestir[4]
BolhaCisalhamento, pressão negativa focal ou liner puxado em vez de enrolado[4]
Coloração avermelhada ou arroxeada distal, com ou sem edemaConstrição proximal, falta de contato distal ou pistonamento; encaixe apertado ou excesso de meias[4]
Pistonamento (coto sobe e desce no encaixe)Suspensão insuficiente, encaixe folgado ou liner de trava complacente demais[4]
Mudança de volume do coto, ganho ou perda de pesoEncaixe fora de medida[3][4]
Dor persistente no coto ou no tirante, mudança na forma de vestir ou no padrão de usoNecessidade de modificar a prótese de membro superior[3]
Desvio de marcha com causa protética na tabela acimaAlinhamento, comprimento, suspensão ou ajuste do joelho e do pé[2]

Diante de ferida, o material do VA orienta suspender a prótese até a cicatrização, garantir mobilidade alternativa segura e retomar o uso de forma gradual, lembrando que o coto pode ganhar volume no período sem prótese [4].

Na Conforpés

Na Conforpés, o encaixe de prova, o ajuste e a fisioterapia com a prótese acontecem no mesmo endereço. Quando o fisioterapeuta ou o terapeuta ocupacional identifica um desvio com causa provável no encaixe ou no alinhamento, a avaliação do protesista acontece no mesmo endereço, sem que o paciente precise ser encaminhado a outro serviço. Parte da equipe usa prótese, o que ajuda a traduzir para o paciente o que muda com cada ajuste.

O profissional que acompanha o paciente fora da Conforpés pode encaminhar para revisão de encaixe ou de alinhamento. As orientações estão em como encaminhar. Para a preparação anterior ao molde, veja pré-protetização; para a escolha de componentes, classificação K e prescrição.

Perguntas frequentes

Como separar um desvio de causa protética de um de causa do paciente?

O VA sugere exame físico completo antes da análise e investigação dos dois lados para cada desvio [2]. Se a correção do fator do paciente não resolve, a prótese deve ser reavaliada pelo protesista.

Existe protocolo validado de treino para membro superior?

Não. A diretriz VA/DoD de 2022 não encontrou evidência suficiente para recomendar um protocolo de treino específico [3]. O apêndice de treino da própria diretriz serve como roteiro de conteúdos.

Quanto tempo de uso liberar no início?

Para membro superior, a diretriz VA/DoD sugere 1 a 2 horas iniciais com aumento de cerca de uma hora a cada poucos dias [3]. Para membro inferior, o material do VA fala em esquema progressivo, sem fixar horas [4].

O paciente deve continuar com o encolhedor depois da prótese?

Sim. O material do VA orienta manter a compressão do coto, por exemplo com encolhedor, quando o paciente está sem a prótese [4].

Qual é o papel da terapia ocupacional no membro superior?

Segundo a diretriz VA/DoD, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas conduzem o treino do controle básico até a incorporação da prótese às tarefas do dia a dia [3].

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, 2013. bvsms.saude.gov.br.
  2. Department of Veterans Affairs, Department of Defense. Gait Analysis. Clinician Support Tool, 2025. healthquality.va.gov.
  3. Department of Veterans Affairs, Department of Defense. VA/DoD Clinical Practice Guideline for the Management of Upper Limb Amputation Rehabilitation. Versão 2.0, 2022. healthquality.va.gov.
  4. Department of Veterans Affairs, Department of Defense. Residual Limb Management in Lower Limb Amputation. Clinician Support Tool, 2025. healthquality.va.gov.
  5. Department of Veterans Affairs, Department of Defense. VA/DoD Clinical Practice Guideline for Rehabilitation of Individuals with Lower Limb Amputation. Dezembro de 2024. healthquality.va.gov.

Material de apoio técnico para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico nem os protocolos da instituição. Atualizado em 28/09/2026.

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