
Resposta curta: Jéssica Araújo perdeu o pé esquerdo aos 12 anos, depois de um acidente de carro com descarga elétrica, e passou por amputação transtibial. A primeira prótese, do SUS, não se adaptou bem. Na Conforpés ela fez uma nova prótese e, quando este texto foi publicado em 2017, cursava o sexto semestre de Fisioterapia.
Este é um registro publicado em novembro de 2017. Os fatos e as idades se referem àquela data.
O acidente
Dez anos antes desta publicação, quando Jéssica tinha 12 anos, o carro da família bateu em um poste. A colisão provocou uma descarga elétrica de alta tensão. O pai dela e um amigo da família morreram, e Jéssica perdeu os movimentos do pé esquerdo.
"Após a descarga, já não sentia mais meu pé."
Ela ficou um ano no hospital. Além da amputação transtibial, teve queimaduras de 2º e 3º grau pelo corpo.
A adolescência com a amputação
Aos 12 anos, lidar com o próprio corpo já é difícil. Jéssica conta que a amputação aumentou as dúvidas e os medos daquela fase.
"Tive vários momentos de fraqueza, tinha minhas dúvidas, medos e receios. E quando se perde um membro corporal, todas essas questões se potencializam dentro de nós. Acabei tendo que me reconhecer dentro de uma nova realidade."
A primeira prótese
Para ela, uma das partes mais difíceis foi a protetização, o período de colocar e aprender a usar a prótese.
"Quando a vi pela primeira vez, achei horrível. Parecia uma perna de boneca. No início tinha muita vergonha e queria que a prótese ortopédica fosse igual à perna que perdi. Sempre usava roupas que a escondessem."
A primeira prótese veio do Sistema Único de Saúde (SUS), e Jéssica não se adaptou bem a ela. Por isso foi atrás de outras opções.
O contato com a Conforpés
Jéssica conheceu a Conforpés quando viu a Camille Rodrigues usando uma prótese para salto alto. Era algo que ela queria muito.
"Era muito nova e não tinha noção de como a tecnologia de próteses ortopédicas estava avançada. Quando conheci a Conforpés e adquiri minha primeira prótese ortopédica com eles, minha vida mudou da água para o vinho. Passei a me ver com outros olhos. Aquela garota que queria esconder a prótese ortopédica não existe mais."
Ela cita o fundador, Nelson Nolé, e o filho dele, Nelsinho, como amigos próximos nesse período. No ano anterior a esta publicação, participou do ensaio fotográfico do calendário Movimento Mais Bonito.
Onde ela estava em 2017
Jéssica gosta da área da saúde. Em 2017 estava no sexto semestre de Fisioterapia e queria usar a própria experiência no atendimento aos pacientes.
Ela faz questão de dizer que o processo não foi fácil:
"Nada foi fácil e nem confortável. É importante destacar isso. As pessoas acham que nascemos fortes, corajosas e com autoestima elevada, mas na verdade, tudo isso é um exercício diário. No começo, como é normal, ficamos desanimados, sem perspectivas, mas é importante dividir a experiência de que esses sentimentos são parte do processo."
O que a história mostra sobre a adaptação
- A primeira prótese nem sempre é a definitiva. Quando o encaixe ou os componentes não servem, vale buscar uma nova avaliação.
- Vergonha e vontade de esconder a prótese são comuns no começo. Isso tende a mudar com o tempo e com uma prótese que funciona para você.
- O lado emocional pesa tanto quanto o técnico, principalmente na adolescência.
Se você usa uma prótese transtibial e ela não está confortável, veja o guia de prótese transtibial. Sobre o lado emocional, leia a importância da psicoterapia pós-amputação. Para agendar uma avaliação gratuita, acesse contato.
Quando vale trocar de prótese
A história da Jéssica mostra uma situação comum: a primeira prótese não serviu bem, e ela não precisou aceitar isso para sempre. Desconforto constante, dificuldade para andar ou vontade de esconder a prótese são motivos para pedir uma nova avaliação.
Na avaliação, a equipe examina o coto, olha a prótese atual e explica o que pode mudar no encaixe ou nos componentes.
Perguntas frequentes
Que tipo de amputação a Jéssica tem?
Amputação transtibial, abaixo do joelho, na perna esquerda.
Por que ela trocou a primeira prótese?
Ela não se adaptou bem à prótese que recebeu pelo SUS e buscou outra opção.
É normal ter vergonha da prótese no começo?
Sim, muitas pessoas sentem isso. No caso da Jéssica, a relação com a prótese mudou com o tempo.
Quem já usa prótese pode fazer uma nova avaliação?
Sim. A avaliação gratuita da Conforpés também serve para quem já tem prótese e sente desconforto.
Fontes
Relato da própria Jéssica Araújo à Conforpés, publicado em novembro de 2017.



