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Envelhecer usando prótese ortopédica: o que muda

Resposta curta: Envelhecer usando prótese depende dos mesmos fatores que a adaptação: nível de amputação, idade, sensibilidade do coto e qualidade dos componentes. Com fisioterapia, acompanhamento psicológico, alimentação saudável, atividade física e revisões periódicas da saúde e da prótese, muitas pessoas seguem usando a prótese no dia a dia ao longo dos anos.
Este post foi escrito em 2019, a partir de perguntas que fizemos aos seguidores da Conforpés no Instagram.
Uma preocupação comum
Acidentes de trabalho ou de trânsito, diabetes e pé diabético, tumores ósseos e malformações congênitas, como a hemimelia fibular, levam muita gente a usar prótese. Alguns passaram por amputação, outros nasceram sem o membro.
Envelhecer já traz mudanças para qualquer pessoa: menos disposição e ossos mais frágeis. Para quem usa prótese, a preocupação com essa fase costuma ser maior.
O que os pacientes contaram
Fizemos algumas perguntas aos nossos seguidores no Instagram. As respostas ajudam a ver que, qualquer que seja o tempo de uso da prótese, as situações vividas são parecidas.
Há quanto tempo você usa prótese?
As respostas variaram muito, de pouco tempo a muitos anos de uso. Mesmo assim, os desafios relatados se repetiam.
Por isso é tão útil conviver com outras pessoas amputadas e participar de grupos de apoio. Cada caso é único, mas ouvir quem passou por algo parecido ajuda a encontrar o próprio caminho.
O que era difícil e virou hábito?
Muitas atividades que parecem impossíveis no começo viram rotina ao longo da reabilitação.
- Amputação de perna: descer escada e caminhar longas distâncias foram citados como coisas que ficaram mais fáceis com o tempo.
- Amputação de braço: pentear o cabelo e comer com garfo e faca estavam entre as tarefas em que os pacientes ganharam autonomia, principalmente com prótese biônica.
Qual é o maior desafio?
A resposta foi praticamente unânime: o preconceito. Muitos contaram que ouvem com frequência frases indelicadas e que sentem dificuldade na hora de namorar ou de procurar emprego.
Em 2019, quando entrevistamos mães das crianças que estamparam o calendário "Infância Sem Limites" da Conforpés, muitas tinham a mesma preocupação com os filhos na escola e no parquinho.
Por isso muitas famílias customizam a prótese infantil com o desenho preferido da criança. Adultos também fazem isso: a estampa funciona como uma tatuagem que pode ser trocada na manutenção da prótese. Veja o post sobre customização de prótese.
A adaptação é o que sustenta os anos seguintes
O objetivo da reabilitação é que você use a prótese de fato e não volte para a muleta. A muleta é mais acessível, mas não dá a mesma autonomia.
A fisioterapia antes e depois da prótese ajuda na dessensibilização do coto, prepara a região para o encaixe e ajuda a evitar infecção e inflamação ao longo dos anos. O cuidado com o coto começa cedo, como mostra o post sobre enfaixamento do coto.
Cuidados para envelhecer com a prótese
- Alimentação saudável.
- Atividade física regular.
- Acompanhamento periódico da saúde.
- Cuidado com a saúde mental.
- Revisão da prótese: o corpo muda com o tempo, e o encaixe e os componentes precisam acompanhar.
Dor fantasma
Com os anos, podem aparecer sintomas de dor fantasma, ligados à síndrome do membro fantasma. Se isso acontecer, converse com os profissionais que acompanham você. Não espere o problema crescer.
Quando procurar a equipe
Se o encaixe começou a incomodar, se você mudou de peso ou se sente que a prótese já não acompanha a sua rotina, é hora de uma revisão. Os guias de prótese de perna e de prótese de braço mostram as opções atuais. Para marcar uma avaliação, fale com a Conforpés.
Perguntas frequentes
Dá para usar prótese a vida toda?
Muitas pessoas usam prótese por décadas. O encaixe e os componentes precisam ser revistos conforme o corpo muda.
O que mais influencia o uso da prótese na velhice?
Os mesmos fatores da adaptação: nível de amputação, idade, sensibilidade do coto e qualidade dos componentes.
A dor fantasma pode aparecer anos depois?
Pode. Se aparecer, fale com os profissionais que acompanham você.
Qual é o maior desafio de quem usa prótese, segundo os pacientes?
O preconceito, citado de forma quase unânime nas respostas que recebemos.


